Estamos num período especialmente propício à reflexão sobre o que é essencial para a vida. O Natal nos convida a repensar valores, comportamentos e prioridades à luz do exemplo deixado pelo aniversariante. Independente da fé que cada um abraça, a experiência de Cristo é inegavelmente inspiradora para crentes e não crentes, induzindo a uma verdadeira revolução pessoal em direção a um propósito por que vale a pena viver e morrer.

Nessa perspectiva, abaixo se procura dar destaque à essência do legado deixado por Jesus, que é costumeiramente manipulado para atender a interesses particulares, nos concentramos nos acessórios para não termos que enfrentar o principal, substitui-se o seja feita a vossa vontade, por seja feita a nossa vontade.

Centro de toda a mensagem: toda a lei se resume neste único mandamento: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Gal 5,14). "Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou" (Lc. 7-47). "Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês mesmos" (Rom. 12-10). "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior deles é o amor" (Cor. 13:13).

Vivencia do amor: "Tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes visitar-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que tudo o que fizeste a um desses pequeninos, é a mim que o fizeste" (Mt. 25:35-45). "Aquele que quer tornar-se grande entre vós seja aquele que serve. Portanto, todo aquele que a si mesmo se exaltar será humilhado, e todo aquele que a si mesmo se humilhar será exaltado" (Mt. 23:11).

Escolhas necessárias: "Não se pode servir a dois amos, Deus e o dinheiro" (Mt. 25); "Porque a raiz de todo o mal é o amor ao dinheiro" (Tim 6:10). "E quando formos julgados ao final dos tempos, nos perguntarão sobre nossa proximidade com a pobreza. Zaqueu entrega a metade de suas riquezas aos pobres. E a quem tem seus celeiros cheios de seu próprio egoísmo o Senhor, ao final, pedir-lhes-á contas. Os pobres do mundo são os herdeiros do Reino" (Tgo 2).

Ideal de sociedade: "E todos que tinham fé viviam unidos, tendo todos os bens em comum. Vendiam as propriedades e os bens e dividiam com todos, segundo a necessidade de cada um" (Atos 2:44-45). "A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém considerava sua propriedade o que possuía. Tudo entre eles era comum... Não havia entre eles indigentes. Os proprietários de campos ou casas vendiam e iam depositar o preço do vendido aos pés dos apóstolos. Repartia-se, então, a cada um segundo a sua necessidade" (Atos 4:32-36).

Podemos não conseguir atingir tamanha nobreza de alma e coerência de vida, podemos não conseguir ser fiéis a imperativos tão revolucionários, mas o que não podemos é negá-los ou manipulá-los ao nosso bel-prazer para atender a conveniências pessoais. Não dá para corromper e iludir a si e aos outros em nome de um projeto de vida que convém e que apenas alimenta o próprio egoísmo. É certamente mais virtuoso e digno aquele que se vê como falho, fraco e inconsistente em suas condutas e encara sua pequenez e mediocridade, contudo, faz de cada dia um desafio para transcender suas limitações e se aproximar do ideal crístico, do que aquele que teima em mentir para si mesmo.

É importante destacar que todo o projeto se inicia no "morrer para si ", ou seja, desinflar o ego que todos carregamos e idolatramos como verdadeiro deus.

LUÍS MIGUEL LUZIO DOS SANTOS é professor da Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup