Mentes unidas para a paz
Mentes unidas para a paz
Walmor Macarini
A população brasileira está sendo convocada a promover, amanhã, um movimento pela paz. Consiste de vestir-se de branco, e, às 19 horas, apagar as luzes e acender um vela, para chamar a paz. Encabeçam a ação várias organizações não- governamentais, inspiradas pela Unesco, órgão das Nações Unidas.
O branco é uma cor de pureza e o fogo é purificador. Isto vinculado a uma fervorosa crença e um convicto chamamento da paz, produzirá resultados positivos, infalivelmente. Eis que acionará as mentes de milhares de pessoas com um único propósito, e nada é mais poderoso do que a mente, porque ela está diretamente conectada com a Mente Superior, que é a Mente de Deus.
Importa que esta mobilização de mentes não tenha um sentido de protesto, porque então contrariará em si própria o propósito de chamar a paz. Há de ser uma ação de fé, sem iras nem revanches, sem dores e sem mágoas, pois a fé é incompatível com esses sentimentos. Há de ser um movimento que não clame por justiça, nem a dos homens nem a de Deus, eis que a dos homens se estriba em arbitramentos legais, e a de Deus não nos incumbe clamar. Há que haver paz nos corações de cada um, ou, ao contrário, se intensificará ainda mais a atmosfera da negatividade já imperante.
Fossem todos os movimentos reivindicatórios um ato de fé, e não um ato de protesto, os resultados seriam outros. Emanações de ira, contidas em cartazes e faixas e nos brados de revolta, estimulam o poder dos contrários e semeiam mais discórdia, eis que as forças em litígio estão sintonizadas na mesma frequência. Tudo aquilo que temos rotulado de um mal não se combate com outro mal.
Não se conhece, na história da humanidade, confrontos que tenham resultado em paz duradoura, mas, ao contrário, eles deixaram sequelas que resultaram em novos conflitos. Sempre que há um confronto, a conta fica em aberto, e um dia ela tem que ser paga, por que estas são as leis do ego, e é por elas, infortunadamente, que os homens têm se guiado.
Só ações de paz, com mentes de paz, produzem paz. Porque um ato pacífico com mentes em revolta será um ato de guerra.
Numa vontade serena, regida pela lei do conhecimento, aí reside a paz, e tanto maior será este poder da paz quanto maiores formos, em número, os sintonizados na frequência da paz. Não devemos clamar pela justiça divina, porque sempre temos desejado que ela seja punidora, e a punição não existe na consciência de Deus. É apenas do ego esse conceito.
Paz é um estado de pensar e um estado de ser. Se houver paz dentro de cada um, haverá paz no mundo. Se imagino que eu quero a paz mas os outros não, eu me imobilizo e não acrescento nada à causa da paz, antes engrosso a corrente contrária, eis que parto de um princípio de negação.
Já vimos que a ira e a revolta não deram resultado satisfatório, então devemos partir para outra saída. A grandeza reside em nossa consciência de baixar armas, reais e mentais, pois nessas incursões pela busca da paz temos desejado muito que ela se estabeleça pela via do justiçamento.
Estamos vivendo tempos em que só se anseia por punição. Parece que nos transformamos numa sociedade com gana punidora, e ficamos felizes quando obtemos uma vitória. Porém essa felicidade é apenas aparente, porque atende ao apetite do instinto, e o satisfaz, mas os problemas persistem.
Quando só vemos erros nos outros, é porque os temos em nós, ou não os identificaríamos, pois não se identifica aquilo que não se conhece.
Então, os culpados não devem ser punidos?
O enfoque é que não devemos nos mortificar pela busca da punição, e, ao ver os culpados punidos, não termos o sentimento de satisfação e o prazer da vingança. Antes, deveríamos lamentar que nossos iguais tenham se desviado, eis que o que eles fazem de imperfeito é também imperfeição nossa, enquanto fraternidade, porque o que toca a eles toca a nós, e nada há sob o sol que a mente coletiva não tenha produzido. Guardamos em nós registros de violência, e eles são sutis e imperceptíveis. Porque persistimos em não policiar nossos pensamentos, nossas palavras e nossos atos, então tais registros se robustecem e se alastram. O rastilho está semeado. Bastará uma centelha para que se incendeie, e então os atos violentos, os desmandos, a insensatez, os desequilibrios, manifestam-se. Não necessariamente em nós, mas naqueles que estiverem mais propensos. Por isso é que somos todos responsáveis, e os estilhaços atingirão a todos.
O ideal é se pudéssemos enxergar nos outros a sua essência pura e é dela que somos constituídos em nossa substância mais profunda mas se persistimos em não querer vê-la, não a enxergamos, e portanto não a reconhecemos, e se não a reconhecemos ela não se cristaliza, e aí o império do ego faz a festa...
Pedem-nos que amanhã seja um dia de nos vestirmos de branco e acendermos velas. Chamando a paz. Façamos isto. Com o coração branco de pureza, com a consciência do fogo purificador, mas sobretudo com sentimentos e palavras de perdão àqueles que nos têm tirado a paz. Este será o voto mais difícil, mas temos que dá-lo se queremos paz.
- WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina





