Mensalão faz três anos. Comemorem
O mensalão - um ousado esquema de compra de apoio ao governo comandado pela Casa Civil da Presidência da República - completou três anos esta semana. O aniversário não se refere ao nascedouro da negociata, porque ninguém sabe ao certo quando começou (o governo sabe!), mas refere-se ao tempo em que a ação está em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Aliás, três anos são apenas uma tenra idade, considerando a lentidão e a lerdeza da Justiça no Brasil. Um desfecho do caso vai demorar muito mais. Agora debitar à Justiça essa impunidade é uma bobagem. Quem não agiu - ou agiu com frouxura e medo - foi a oposição, que congrega uma turma de inapetentes políticos. A CPI foi um fiasco, lembra?
É para ser comemorado? Claro que sim. Quem comemora são os envolvidos que saíram incólumes do maior escândalo que se conhece e estão tranquilos. Os que não estão dando as cartas, voltaram à cena política, com certo poder.
Um dos empecilhos para a rapidez no julgamento - como lembram repórteres da Folhapress - é justamente o número de pessoas envolvidas, além de testemunhas de defesa e acusação. São 38 réus, defendidos por dezenas de advogados muito bem pagos, inseridos em um processo de mais de 40 mil páginas. As testemunhas a serem ouvidas no caso eram tantas que a autoridade que cuida do caso delegou a função de tomar os depoimentos a magistrados federais.
Outro motivo que atrasa o desfecho do caso são os pedidos feitos pelos advogados no processo, como desmembramento da lista de réus, novos depoimentos de testemunhas, impugnação de laudos e solicitação de informações. Muitos pedidos são levados ao STF diretamente para apreciação do plenário. Um dos pedidos da defesa de Marcos Valério, acusado de ser operador do esquema, é o afastamento do ministro Joaquim Barbosa por suposta falta de isenção para julgar, após o ministro afirmar que Valério é um expert em lavagem de dinheiro. O caso aguarda julgamento do presidente da Corte, Cézar Peluso. Que Deus o ilumine para que não decida pelo afastamento. Mas que ninguém duvide.





