Mensalão e punição
A prisão dos 12 condenados pelo mensalão pode ser considerada um fato histórico. Nunca antes figuras políticas importantes do Brasil haviam sido condenadas a cumprir penas em regimes fechados ou semiabertos, aliás com sentenças mais duras do que o convencional. Isso é um fato a ser comemorado, ainda mais que a análise dos embargos declaratórios e infringentes, aceita pelo Supremo Tribunal Federal, passou à opinião pública a falsa ideia de que haveria um novo julgamento.
Não foi o que ocorreu. Em pleno feriado, do Dia da Proclamação da República, o ministro Joaquim Barbosa uma das "estrelas" do caso por rejeitar claramente o atual jogo político iniciou a execução das sentenças. Isto foi um fato bastante positivo e volta a dar uma esperança aos brasileiros, de que "crimes do colarinho branco" passarão a ser punidos e que essas pessoas não são diferentes do restante da população.
No entanto, só o tempo dirá se de fato o julgamento do mensalão e a execução das penas sepultarão a impunidade. Portanto, deve-se esperar e cobrar que outros casos semelhantes tenham tratamento igual e com a mesma proporção de penas, como é o caso do "mensalão mineiro" e de tantos outros processos que denunciam corrupção registrados Brasil afora. Esta mudança de paradigma é que contribuirá para a evolução da democracia brasileira, que vai garantir como expressa a Constituição Federal que todos são iguais perante a lei.
Se o ministro Joaquim Barbosa utilizará esse fato politicamente a seu favor, uma vez que lidera as pesquisas de intenção de voto para presidência da República, também só o tempo dirá. Por ora, é importante que a sociedade passe a acompanhar e a participar mais ativamente da vida pública. Se não fosse o desinteresse pelo jogo político tantos escândalos não aconteceriam. A corrupção é uma prática nociva à democracia e à sociedade e todos devem lutar para que seja extirpada.





