Mensalão de 18% do cartão de crédito
Se os escândalos da corrupção política se alastram de forma tão intensa no momento embora nunca foram novidade no Brasil há descalabros paralelos aos quais a nação parece haver-se acostumado. São os juros do sistema financeiro, que têm levado empresas a encerrar atividades e cidadãos à inadimplência. O mensalão dos juros do cartão de crédito, se o débito é pago com atraso, atinge a astronômica taxa de 18%. Se a Selic é de pouco mais que isso (mas ao ano, e já um absurdo), 18% ao mês é uma exorbitância não encontrável em lugar algum do mundo. Os cidadãos, cheios de razão, têm manifestado publicamente sua indignação contra as barbaridades que ora ocorrem no meio governamental, mas parece que estão inoculados ante esse assalto ao dinheiro alheio, praticado pelos operadores de cartões, e sem nenhuma punição. Nada acontece contra esse absurdo de juros. Uso de cartão e atrasos acontecem com grande número de clientes, face às dificuldades financeiras pelas quais passam, e elas mais crescem com o ingresso nessa infernal roda-viva. Contra o sistema financeiro, bancos incluídos, não há comissões de investigações e nem punições, porque o ordenamento para manutenção desse estado de coisas emana de Brasília e tem respaldo governamental ou seja, o Governo permite que as instituições do gênero operem nesses patamares tão elevados de juros. Visa com isso conter o consumo e por conseqüência a inflação, um enfoque equivocado e abominável que leva empresas a fechamento e causa a ruína de tantos, que em muitos casos são obrigados a desfazer-se de bens, a preços vís, para saldar débitos em bancos e finaceiras. Ademais, o próprio Governo vê aumentado o volume de sua dívida interna hoje de R$ 905,4 bilhões porque também paga juros altos por ela. Leia-se mais claramente que nem é o Governo que paga, mas o povo, e tanto dinheiro destinado a essa conta significa menos obras, menos atendimentos sociais e menos desenvolvimento. Nos Estados Unidos, país de população altamente consumidorao, o juro básico não chega a 2% ao ano e o juro geral anual não vai além de 4%. E a nação cresce e transforma-se em potência, como são potências, nas respectivas proporções, outras nações onde o consumo é duas vezes maior que o do Brasil e o juro é quase zero. A extorsão à moda brasileira é uma forma de corrupção, palavra que também quer dizer depravação. Contra esse assalto institucionalizado, apenas uma voz de protesto se tem ouvido na esfera governamental, que é a do vice-presidente e empresário José Alencar. O Congresso Nacional não se pronuncia. O presidente Lula, que tanto combateu, em campanha, a perversidade dos juros altos, teve que ceder às estratégias de sua equipe econômica e certamente não pôde dominar as forças ocultas do sistema financeiro, como não pôde domar tanta coisa feia que foi vendo acontecer no ventro de seu Governo e de seu partido na verdade, nada que fosse novo na história republicana mas de quem entenda-se a administração petista muito se cobra agora, porque muito foi prometido e muita esperança foi semeada. Corrupção política e juro escorchante, ao custo da debilidade econômica das classes produtoras e dos cidadãos em geral, são atrocidades idênticas.





