Menos verbas, mais risco
Pelas fronteiras secas brasileiras passam de tudo: drogas, armas, imigrantes ilegais, contrabando. E agora, deve passar ainda mais. É que o corte no orçamento da Polícia Federal para 2011 está afetando o trabalho de delegados e agentes. Com um número já insuficiente de profissionais, a função de guardar as divisas se tornará ainda mais penoso, e com resultados potencialmente desastrosos.
Após o contingenciamento do Orçamento da União, determinado no início do ano pelo governo federal, dos R$ 4,2 bilhões previstos para o Ministério da Justiça, a pasta à qual a PF está atrelada deve receber R$ 2,7 bilhões em 2011.
Um posto na fronteira com o Peru já teria sido fechado e haveria falta de verba para manutenção de veículos, compra de combustíveis e coletes à prova de bala. Projetos como o Vant, de fiscalização com avião não tripulado, devem atrasar. Em algumas regiões, blitze em rodovias foram suspensas.
''É evidente que temos que fazer adequações, mas não há paralisação de atividade em hipótese nenhuma. Verba nós temos, não é a ideal, mas nós temos que suprir a deficiência com aquilo que é mais importante, a integração (entre PF, Forças Armadas, Polícia Rodoviária Federal e Polícia Militar dos estados fronteiriços)'', afirmou o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à Folha de S. Paulo.
Por mais que os policiais se esforcem, não dá para fazer milagre. No Brasil, a PF fiscaliza 16.399 quilômetros de fronteiras. A maior parte da cocaína e do crack consumidos aqui é produzida na Bolívia, Peru e Colômbia, segundo levantamento da própria corporação. Grande parte dos armamentos que abastecem criminosos em todas as regiões entra ilegalmente pelas zonas descobertas de fiscalização.
Em um país continental como o nosso, proteger as fronteiras é (ou deveria ser) prioridade. O combate ao crime organizado precisa começar lá, mas a redução no orçamento só tende a aumentar o descontrole e a vulnerabilidade do território nacional.





