Se a lei não for derrubada, 430 mil veículos do Paraná ficarão isentos de pedágio no perímetro de seus municípios. Já é um bom benefício, embora o número seja pequeno perante os 3 milhões e 800 mil veículos automotores registrados no Departamento de Trânsito do Paraná. A lei acaba de ser sancionada pelo governador Roberto Requião, embora seja certo que as concessionárias a contestem na Justiça, porque a sanha arrecadadora é grande. Os isentos serão os veículos com placas da mesma cidade onde haja praça de pedágio e só ficarão livres nesse ponto. De início serão beneficiados motoristas de 27 municípios.
Em caso de a Justiça mantiver a decisão governamental, beneficiará grandemente esses motoristas, muitos dos quais só usam o veículo para giros no âmbito municipal mas precisam cruzar por uma cancela de pedágio, havendo também os que se deslocam para municípios vizinhos e retornam sem encontrar no percurso uma segunda praça de cobrança. Isto favorecerá também agricultores que vão para as suas propriedades na área. Esta seria a primeira vitória do Governo Requião dentre os tantos rounds contra esse sistema implantado na administação de Jaime Lerner. A expectativa é que a Justiça, em todas as instâncias, interprete favoravelmente o ato governamental e beneficie esses munícipes.
O advento do pedágio foi uma sangria para os usuários de veículos e uma bitributação, porque eles já pagam impostos para a construção e conservação de estradas, e esses encargos são elevados. Foi uma forma de o governo transferir para os donos de veículos - e para a população em geral, que também foi atingida, face ao encarecimento dos transportes - uma incumbência que era dele e para cujo desempenho sempre dispôs de verba específica. Com o aumento do arrocho tributário, em suas múltiplas vertentes - incluindo o pedágio - sobram mais recursos para a gastança desenfreada, que, conforme se escreveu ontem neste espaço, mais cresce quanto maior a arrecadação, e maior é a volúpia de arrecadar quanto maiores forem os gastos desnecessários. Nesses gastos, obviamente, figuram a pesadíssima estrutura governamental e também as mordomias e a corrupção.
Quase dez anos são decorridos desde a implantação do pedágio no Paraná e nenhuma estrada foi duplicada, a não ser trechos curtíssimos. Faltam ainda 14 anos para se vencerem os contratos, e pelo que se assiste, não se crê que grandes coisas aconteçam. A certeza é que, de dia e de noite, dia após dia, o pedágio será cobrado, e a cada fim de ano as tarifas irão aumentar. Os bilhões que foram subtraídos da economia popular com o pedágio dariam para implantar várias estradas no Paraná e manter satisfatoriamente as atuais.

mockup