Menos impostos, mais benefícios sociais
O governo federal reduziu a alíquota do IPI dos veículos e as vendas explodiram. Mais postos de trabalho nas montadoras, situadas nas capitais - onde há desemprego e bolsões de miséria -, e mais empregos nas centenas revendas no interior, onde o impacto das crises chega primeiro.
Para cada carro novo que sai da linha de montagem e ganha as ruas há uma nova unidade para aumentar a oferta de carros usados. O preço cai, pela lógica natural e equilíbrio do mercado. Mas os empregos desse subsetor aumentam. E aumentam os trabalhos nos bancos e escritórios despachantes.
O imposto confisca o dinheiro, que sai de circulação e dá lugar à recessão e miséria. Seu destino deixam de ser os caixas de supermercados ou poupança dos assalariados. Vai lubrificar a emperrada máquina administrativa, saco-sem-fundo abocanhador e sugador da atividade econômica.
Fim do IPI eleva vendas de fogões e geladeiras, diz o título da reportagem da jornalista Andréa Bertoldi. Iguais aos carros, outros bens duráveis, como os eletrodomésticos, geram lucro, pulverizam o dinheiro, dão vida e exigênio ao comércio. A linha branca é outro exemplo de oportunidades.
Mas o que é bom dura pouco. A notícia sobre o final do prazo da redução do IPI para a linha branca provocou um aumento das vendas nas lojas de até 35%. Até agora, não houve desabastecimento de fogões, geladeiras, máquinas de lavar e tanquinhos. Esta corrida é porque o imposto vai voltar para continuar sugando a economia.
Logo, logo, se o fim da redução realmente acontecer como previsto, vai embora também o dinheiro do imposto e, com ele, a vontade de comprar daqueles que esperavam por uma nova chance. A troca da gelaeira fica adiada, o mesmo acontecendo com o emprego promedito pela fábrica.
A volta do imposto, que vai criar novo período de recessão, significa frustração para quem não conseguiu trocar a geladeira velha desta vez; fim do sonho de quem esperava um emprego com o aumento da produção nas fábricas ou na loja da departamento. Para entender a lógica da distribuição de riquezas e, com ela, a geração de benefícios sociais, tem que ter um olhar para a livre iniciativa. E saber cotejar benefícios dos impostos (quando chegam a virar benefícios) e distribuição de renda.





