Não é boa notícia saber-se que o Brasil vive um momento de recorde de arrecadação tributária, pois tal não ocorre pela elevação do volume de negócios mas pela existência de impostos em demasia e pelo arrocho. Navegando sobre essa corrente, o ministro Luiz Fernando Furlan é a única voz dentro do Governo que, em face de tanta receita, propõe uma desoneração, ou seja, a diminuição dessa carga. Por ser empresário, o titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, fala com conhecimento ao defender a devolução de parte disso à população. A União é grande concentradora de renda, pois detém 61% de toda a receita tributária nacional, e tanta abundância de dinheiro significa que a moeda escasseia onde deveria estar, ou seja, nos redutos geradores de riqueza leia-se as bases empresariais, grandes e pequenas, e o meio circulante. Se a moeda fica concentrada, não circula, e assim o desenvolvimento não se opera. Por essa razão o ministro-empresário propõe o retorno de parte desse dinheiro ao seu habitat natural. A qualidade de homem de negócios e não de um burocrata governamental o autoriza a fazer essa proposta, em torno da qual espera a formação de uma corrente do empresariado brasileiro para levar esse clamor à ''equipe'' econômica do Governo, na verdade constituída de apenas um homem (hoje o grande mandante), o ministro Antonio Palocci, da Fazenda. Furlan não propõe apenas a desoneração, que abrange vários itens alguns deles embutindo até 50% de impostos mas também a simplificação da abertura e fechamento de empresas, e outras desburocratizações. Ele argumenta que, baixando impostos, o consumo aumenta, pela consequente baixa no custo dos produtos, ao tempo em que ocorreria o salutar fenômeno de o volume da arrecadação aumentar, pela dinamização dos negócios. Com essa máquina aquecida a da produção e do consumo o campo se abriria para mais empregos, significando mais agentes de compra. Na extremidade dessa esteira iria se formando a riqueza, por si mesma geradora de melhores condições de distribuição de renda a toda população. O Governo também seria um grande ganhador, pelo natural aumento da receita, e assim mais obras realizaria. Não se trata de utopias mas de possibilidades reais, porque assim ocorre em muitas países. Certo é que, ao final da turbulência institucional ora vivida, as empresas permanecerão e a nação brasileira continuará seu trabalho, à revelia de governos populistas e pouco operantes. Mas será preciso implantar bases mais sólidas para garantia de sobrevivência dos negócios, que são os sustentadores da governabilidade, da segurança do povo e da paz social.

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