Menos imposto e mais dinheiro no setor produtivo
Ao menos o presidente Lula fala sensatamente quando declara (como fez em Roma) que a economia brasileira pode ser contaminada pelo medo, diante da situação de crise depois do setembro negro dos Estados Unidos. E recomenda a contenção do pânico psicológico e que o consumidor continue comprando como antes. Ele alerta sobre o que acontecerá se todos falarmos de crise e criarmos terrorismo.
Lula que no começo do mês liberou R$ 4 bilhões para financiar a compra de carros quer que o BNDES injete mais recursos na economia, por via de socorros às empresas. Se a crise teve origem num problema financeiro, é por meio idêntico que se irá combatê-lo, da mesma forma que se usa certos venenos como antídotos de si mesmos. A pregação de otimismo, seguida de ação, é um método eficaz.
Se a ajuda às montadoras de veículos é uma estratégia, o Governo incentivaria muito mais as vendas (mesmo com o risco de poluir o Brasil de automóveis nas cidades e rodovias) se diminuísse drasticamente o imposto sobre a comercialização do carro. Porque fica com quase metade do que o comprador paga ao adquirir um. E as revendas também não cooperam, porque depois que a crise irrompeu elas aumentaram o juro das prestações de 1,30% para 2%, quando deveriam tê-lo diminuído. No Paraná a venda de veículos caiu 12% neste período de expectativa, por isso o momento seria de estimular por todas as formas o comprador. Outro incentivo visado pelo presidente é para a construção civil. Mas é uma contradição o Governo não diminuir impostos e destinar verbas de financiamento. Muito mais do que a quantidade de valores liberados seria o que as empresas disporiam se pagassem menos imposto. O Governo também não acena com diminuição de seus gastos excessivos na manutenção da máquina pública, porque se o fizesse poderia baixar a carga tributária.
Se socorrer os meios de produção é preciso até porque os cofres do Governo estão abarrotados o Estado paternal deveria manifestar-se primordialmente pela diminuição da sangria tributária e não pelo socorro (melhor seria dizer devolução) que faz, porque isto é empréstimo, que terá de ser devolvido. O Governo rico, ante os setores produtivos equilibrando-se na corda bamba, tem sim a esta altura que esparramar dinheiro, mas esta política pública não deixa de ser contraditória. Porque a melhor ajuda seria um Governo de custo baixo e que cobrasse menos imposto, assim deixando maior quantidade de moeda onde ela deve estar, que é no círculo dos negócios e nas mãos do povo.





