A linguagem cifrada (pior que o economês; é um economês de banqueiros) usada ontem pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles - ao falar na Febraban -, não disfarça a preocupação do governo com a expansão do crédito. Sinalizada pela liquidez da moeda no pós crise, a retomada do acesso ao crediário tem que ser monitorada.

Meirelles alerta os bancos a terem cuidado com o reaquecimento da economia. A ideia é segurar o crédito para evitar o que os economistas chamariam de inflação de demanda. Ano eleitoral, o governo não quer correr risco e ver índices de inflação despontando, porque a inflação seria um eficiente cabo eleitoral dos adversários.

Mais uma vez prevalece a velha escola que manda usar o instrumento de política monetária como controlador de demanda. O velho manual da ortodoxia econômica recomenda menos crédito, prazo mais curto e juros mais altos. É para inibir o consumo. Não será surpresa, portanto, se 2010 ganhar um caracter recessivo em nome da prudência e do controle da inflação.

De qualquer forma o governo tem os índices em suas mãos e fará deles indicadores favoráveis a uma economia estável. Dados em profusão deverão atestar a competência na condução da política econômica e austeridade na política monetária. Resultado: inflação sob controle.

Nem tanto, dirão agentes econômicos. Neste momento, a inflação é uma espiral sob a sola do sapato dos gestores da política econômica e apuradores de índices. Se depender da diretriz do governo, o peso só será retirado após a eleição. Mas é tempo muito longo e a mola pode pular alto.

Outra questão é o controle artificial de preços. O Bolsa Família é socialmente plausível mas ajuda a mascarar a composição dos índices.

Finalmente, a linguagem de Meirelles não foi tão dissimulada ao aconselhar os bancos a ficarem atentos à evolução do mercado doméstico. Eis a frase que usou: ''É nos momentos de expansão que os problemas aparecem''.

O governo quer desfrutar das boas condições proporcionada pela combinação entre estabilidade, política monetária adequada e condução financeira rigorosa.

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