Menores lideram tristes estatísticas
Os exilados lutam contra as estatísticas sobre execuções de jovens na cidade. Os fatos justificam o temor de que cada ameaça não é um blefe, um ato de intimidação. Dos 20 primeiros homicídios registrados em Londrina em 2004, oito vítimas são menores de idade. Dos 12 adultos, metade tem até 20 anos. A vítima mais velha tem apenas 23 anos.
A Polícia Civil insiste que as execuções estão relacionadas a conflitos do mundo do narcotráfico enquanto entidades de defesa dos direitos humanos refutam esta tese. ''Existe uma dificuldade muito grande de se prevenir as execuções. As vítimas normalmente omitem da polícia que estão ameaçadas de morte porque, de alguma maneira, estão também ligadas a criminalidade'', analisa o delegado-chefe Jurandir Gonçalves André. ''Outro agravante para a alta incidência de homicídios nesta faixa etária é a falta de maturidade dos envolvidos. Eles ainda não tem muita noção sobre o real valor da vida'', completa.
O homem-forte da Polícia Civil em Londrina acredita que investigar o narcotráfico é a melhor maneira de ''quebrar o ciclo do crime''. A visão quase unânime em todas as esferas policiais é que a venda e o consumo de drogas é o ponto de partida para outras modalidades criminosas, incluindo os homicídios.
Para o coordenador do Centro de Direitos Humanos, Gélson Gil, o fenômeno é mais intrigante. ''Há casos de morte em confronto policial, casos recorrentes de execuções cujos autores dos disparos estão circulando de moto, número expressivo de armas raspadas. Tudo isso faz crer que exista um esquema de execução, na qual a gente ainda não sabe quem exatamente participa'', avalia.
Gil acha que a tese de que a grande maioria das execuções está ligada ao narcotráfico ''não convence'' e que é necessário encomendar um ''estudo científico'' para que se conheça a realidade por trás das estatísticas. ''A pobreza não se alastrou tanto, o tráfico e o consumo de drogas também não se alastrou tanto, não há porque o número de execuções tenha aumentado desta maneira''. Ele sugere: ''É preciso investigar a fundo cada uma das histórias destes adolescentes e descobrir o elo que os fazem vítimas e atores da violência''. (L.F.M)





