Menores infratores - Arlete Salvador
Menores
infratores
Arlete Salvador
Quando se cobra dos governos ações na área social, sempre há alguém para desfilar números sobre os gastos no setor. Ao defender as políticas de sua administração para menores infratores, o governador paulista, Mário Covas, por exemplo, lembrou que a manutenção de cada menino na Febem custa R$ 1.700 por mês.
Com cifras, estatísticas e dotações diferentes, o mesmo comportamento se vê em educação, saúde, habitação. A prova de compromisso social dos governos com o atendimento das necessidades sociais da população se resume ao volume do dinheiro.
Trata-se de um equívoco perigoso. Covas deveria responder quantos garotos o seu governo, de fato, reeducou, reorientou e devolveu às famílias e à sociedade com capacidade para começar uma nova vida. Pelo jeito, nenhum. Sem respostas, todo o dinheiro investido, e que tanto orgulho causa aos políticos, certamente acabou no lixo. Como a Febem não reeduca ninguém, é de se supor que o dinheiro foi gasto à-toa.
Em geral, os órgãos públicos não se preocupam em medir os resultados de seu trabalho. Comemoram aumentos eventuais do seu orçamento, mas são incapazes de apresentar dados sobre o desempenho real de seus projetos e de seus clientes.
No Brasil, assistência social confunde-se com caridade. Não é esse o caminho. O País precisa de políticas assistenciais eficientes e capazes de resolver algumas das mazelas da população mais carente. Isso só se faz cobrando resultados.
Caridade e boas intenções não educam menores infratores nem carentes. O que os transforma são técnicas pedagógicas apropriadas, abrigos que atendam as necessidades e profissionais capazes de definir qual a pedagogia apropriada e quais as suas necessidades. Não é achismo.
- ARLETE SALVADOR é jornalista em São Paulo





