A delinquência juvenil agora penetra também nas escolas, e professores já não têm segurança. Em Rolândia, um bando de 60 dentre 600 alunos do curso noturno transferidos de outra escola está semeando o terror no Colégio Vilanueva. Uma professora grávida foi agredida e perdeu a criança. Advertido, o aluno agressor fez ameaça ainda mais contundente. Esta é a realidade conhecida, e falar dela já se tornou ocioso, porque o que se deve discutir são os meios de solução. A própria sociedade ocupa-se largamente de falar do problema da delinquência, supondo que este seja um exercício da cidadania, mas dá pouca contribuição para diminuir a intensidade do problema.
Os cidadãos pedem polícia, redução da idade penal, castigo para esses perigosos delinquentes, mas não há garantia de que apenas isto basta, quando o problema é de ordem social. Não há dia em que os jornais e os demais veículos de comunicação não se ocupem do assunto, e a mídia eletrônica na verdade tira rendoso proveito disso, pois sustenta seus programas policiais e lhes garante audiência e bons anunciantes. Ontem, a especialista Olgária Chain Feres Matos, da USP, ao falar em Curitiba perante membros do Governo, criticou o espetáculo que a mídia promove com os grandes assassinatos envolvendo adolescentes. E a presidente da Associação Social do Paraná, Thelma Alves de Oliveira, declara que a mídia destrói valores e constrói ignorâncias.
Essas vozes mais sensatas têm consciência de que a violência é motivada pela exclusão e pela condenação prévia da juventude. Cada cidadão deseja a punição para os filhos dos outros, e não se sabe como reage quando o mal está dentro da própria casa. Esses bandidos precisam ser detidos e tirados de circulação, para evitar que continuem matando e morrendo ou acabem apodrecendo nos cárceres, mas dentro das normas do Estatuto da Criança e do Adolescente. Se a educação não faz milagres - ela declara - sem educação não há milagres.
A verdade é que generalizar, prender e condenar o adolescente não resolve o problema. As estruturas precisam melhorar, ou daqui a pouco se terá triplicado o número de vagas de internamento de menores infratores, e nada mais que isso irá acontecer. Serão necessárias relações mais humanas, menos ódios e menos anseios de vingança, embora se respeite a dor de quantos foram vítimas desses marginais ou tiveram agressões e morte na família, causadas por eles. Ou a sociedade tem capacidade de resolver os seus problemas ou terá de decretar a própria falência como instituição capaz de salvar-se e salvar também esses delinquentes, que são produto do mesmo meio social.

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