Quando o assunto é menopausa, vale a pena fazer uma reflexão: será que as mães e avós das mulheres de hoje, que nem faziam reposição hormonal, eram mais felizes ou já estavam habituadas ao sofrimento e não reclamavam? Será que a vida moderna complicou a questão da menopausa?
O que não se pode negar é que a menopausa para muitas mulheres, apesar da orientação médica, tem se constituído num período cheio de incertezas e desconforto que vão desde a transpiração excessiva, irritabilidade fácil, cansaço inexplicável, baixa de desejo sexual, até as mudanças repentinas de humor e uma sensação de vazio, tristeza e até depressão.
Nessa fase, muitas vezes a mulher tem um companheiro pouco atraente, que não corresponde às suas expectativas, seja pela personalidade, seja por temperamento. O marido, apesar de ter sido trabalhador e bom caráter, a vida toda apresentou enormes dificuldades para se manifestar afetivamente. Pouco carinhoso, mau ouvinte e um tanto frio, nem sempre se revelou um bom amante, pois assim como muitos outros homens da sua geração é ansioso, apressado, de poucas carícias, mais chegado a um sexo rápido seguido imediatamente pelo sono.
Casados há muitos anos, se acomodaram na relação morna, sem atrativos e repetitiva, mas agora, com a chegada da menopausa, essa mulher começa a fazer reavaliações inevitáveis.
De repente, toda aquela programação que ela tinha para a sua vida, aqueles projetos que tinha em mente e não foram bem desenvolvidos, voltam a povoar a sua fantasia. Muitas vezes, essa mulher tem um diploma que foi guardado na gaveta, e isso a torna frustrada.
Quem está experimentando essa etapa da vida não pode ter medo dessas reavaliações. Elas são necessárias e devem ser encaradas, mas é preciso saber pesar com equilíbrio, rever o lado bom e nunca pensar que as coisas estão perdidas.
A mulher não precisa buscar apenas a reposição hormonal como solução para as dificuldades vivenciadas na menopausa. Ela pode procurar uma boa e saudável reposição afetiva, buscando um entendimento melhor com seu companheiro e reavivando a própria sexualidade. Como sexo é feito a dois, eles podem tranquilamente buscar o prazer. E, se preciso for, ir atrás de uma boa orientação médica e psicológica que os ajude a se reencontrar.
O mais importante é ter em mente que a faixa etária dos 50/60 anos também pode ser um período extremamente útil e prazeroso, porque já não existem aquelas naturais preocupações com a possibilidade de uma gravidez ou mesmo problemas com a educação dos filhos. Essas e outras conquistas fazem da menopausa uma fase em que se pode tirar um maior proveito da vida.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo.
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