Bauru - Morreu sábado a menina Tayara Pires Moreira, de 7 anos, uma das 273 crianças moradoras das proximidades do setor metalúrgico da Indústria de Acumuladores Ajax, em Bauru, a 335 quilômetros de São Paulo. Exames constataram índices elevados de chumbo no organismo das crianças. A causa da morte de Tayara foi broncopneumonia, mas a família registrou boletim de ocorrência afirmando que o quadro foi agravado pela presença do chumbo.
O problema dos moradores dos bairros Tangarás, José Regino e de chácaras próximas à unidade processadora de chumbo da empresa veio a público no final de janeiro, quando a Companhia de Tecnologia do Saneamento Básico do Estado (Cetesb) interditou aquela parte da indústria. E passou a exigir o cumprimento de 27 itens de proteção para autorizar sua reabertura.
Exames de sangue feitos sob a coordenação da vigilância sanitária indicaram a contaminação das 273 crianças em um raio de mil metros da fonte poluidora. Uma equipe multidisciplinar foi montada e acompanha a desintoxicação em casos menos graves e o tratamento por quelação nos mais agudos. Foram encaminhadas para observação e tratamento as crianças com mais de 10 microgramas de chumbo por decilitro de sangue, índice previsto pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
A neuropediatra Niura Ribeiro Padula, da Faculdade de Medicina de Botucatu, que coordena o grupo de atendimento às crianças, disse que o chumbo no organismo não é a causa direta do óbito, pois a contaminação atinge os rins e a produção sanguínea. Mas o chumbo pode ter facilitado o agravamento do problema pulmonar, por reduzir a imunidade do paciente.

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