Tomazina - Na cidade em que nasceu, José Eduardo de Andrade Vieira tem a imagem preservada por contemporâneos que querem transmiti-la às próximas gerações, com a história de períodos mais recentes de Tomazina (8.790 habitantes). O benemérito, o banqueiro e o político são as facetas de Zé Eduardo (identificação preferida entre os contemporâneos) que, produtivamente, muito o assemelharam ao pai, Avelino Vieira, que foi prefeito do município (1933-1942).
Politicamente, o filho superou o pai. José Eduardo, o senador, a seguir ministro dos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso. No acervo de Pedro dos Santos Melo está um dos cadernos escolares distribuídos pela campanha de Zé Eduardo, a capa ilustrada com a fotografia do candidato ostentando o chapéu tão celebrado. "Só melhora de vida quem estuda", é a mensagem do candidato.
Enquanto os repórteres examinam o caderno, Pedro sai e retorna à sala com o chapéu que Zé jogou à multidão ao encerrar um dos comícios na cidade. Está inteiro, nunca foi usado desde que o apanhou. Outras referências da família Vieira no acervo de Pedro são publicações sobre a fundação do Banco Popular e Agrícola do Norte do Paraná (Banorte), em 17 de janeiro de 1929, por Avelino Vieira e mais 154 acionistas, o "embrião" do Bamerindus.
Há fotografias, entre as quais a do Educandário Nossa Senhora das Dores, onde Zé Eduardo e Pedro Melo iniciaram os estudos. O prédio foi demolido.
Filho de Maria Benedita e José Caetano de Melo, mineiros procedentes de Santa Rita do Sapucaí, Pedro nasceu em Tomazina (7 de novembro de 1939), um ano depois de José Eduardo (30 de dezembro de 1938), mas não se conheceram no Educandário. "Só fui para a escola aos 11 anos de idade, depois que minha mãe morreu. Ela tinha 41 anos", recorda. Distâncias e o trabalho impediam rurícolas de frequentar a escola. "Se a minha mãe não morresse [naquela idade], talvez eu não tivesse ido para a escola. Não me encontrei com o Zé Eduardo porque ele começou antes e logo foi para Curitiba."
Enquanto José Eduardo prosseguiu estudando na capital até o curso superior (administração de empresas), Pedro continuou em Tomazina, concluiu o primário, o ginasial e o curso de Contabilidade (colegial) - "Mas sou contador de lorotas", atalha, para explicar que não exerceu a profissão. E finalmente, o Magistério (Escola Normal Colegial Estadual Nilo Peçanha) que o habilitou a lecionar no curso primário.
Antes, Pedro trabalhou no "banco do senhor Avelino" por um período a partir de abril de 1956, na agência de Tomazina, quando já era o Banco Mercantil e Industrial do Paraná, sob a gerência de Natanael da Costa Guimarães. "Fui uma espécie de office-boy."
Mas não chegou a conviver com Zé Eduardo; nem o fotografou, embora venha exercendo a profissão ("Pedro Fotógrafo" é a sua referência) há tempos. A esposa de Pedro, Stella, é da família Chueire, e o casal não tem filhos.

mockup