Enquanto a criminalidade aumentou em quase todas as cidades brasileiras, Londrina registrou queda. É inusitado. Não ter aumentado já seria uma vitória. A violência no Brasil avança como um furacão, ninguém segura. Os governos nada seguram. Não faltam exemplos estimuladores para ações cada vez mais ousadas da marginalidade. É o populismo político, que gera impunidade; são os governantes e legisladores corruptos dando péssimos exemplos todos os dias, enfim, há uma somatória de situações conjunturais que convergem para o agravamento de um quadro social em iminente degradação. Agora, em um ambiente desses, conseguir reduzir assassinatos, furtos, assaltos, homicídios pelo tráfico, etc., é quase uma façanha. Em 2010, a polícia local conseguiu. Os dados apresentados segunda-feira pelo comandante do 5º BPM, coronel César Kogut apontam essa redução. E ele atribui o saldo à união de forças de todas as polícias, MP e outros órgãos ligados a segurança.
  Em visita a esta FOLHA, acompanhado do sub-comandante, o tenente-coronel Júlio Richter, o coronel deu outra informação: aumentou o número de denúncias, inclusive pelo telefone 181. Este pode ser um parâmetro para indicar a confiança da população na PM. Quem não acredita, não ficaria à vontade para passar informações, um ato de colaboração, mas também de coragem.
  É importante reconhecer isto porque a FOLHA sempre cobrou insistentemente a melhoria na segurança. Estava em petição de miséria. Sempre há muito por fazer, naturalmente.
  Apontamos os problemas conjunturais que contribuem para o aumento de toda sorte de delitos. Mas existem também razões estruturais, que são muitas e que podem ser resumidas na falta de oportunidade da população pobre. A exclusão social - um tumor ainda não extirpado - leva ao desatino milhares de jovens e chefes de família. Aqui pode-se relacionar de tudo um pouco: da falta de boas escolas até a concentração da posse da riqueza, para usar uma linguagem ideológica, porém verdadeira. A sociedade ignorou os problemas na sua origem. Os governos, nem se fala.
  Londrina, como a maioria - se não todas as cidades do Paraná, sempre esteve na esteira da ascensão da violência. De repente, consegue estancá-la por esforço exclusivo da polícia local que fez sua parte, apesar indiferença do Palácio Iguaçu.
  Mas o que se almeja é a redução da violência em todas as cidades. E neste ponto é preciso de uma política de segurança mais comprometida, séria, como nunca se viu nos últimos anos.

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