Melhores taxas
Paulo Afonso Rodrigues
Estamos convivendo com problemas econômicos desde as crises na Rússia, Ásia, Japão, Argentina e outras. No entanto, a crise interna brasileira talvez seja a maior. De um lado deparamos com os setores econômicos reclamando da escassez de recursos como a agricultura, o comércio e demais atividades produtivas que estão sofrendo os custos dos juros reais de mercado. De outro lado, estão os bancos reclamando da ‘‘falsa’’ inadimplência de 9% sobre os recursos emprestados. E continuam insistindo na cobrança exagerada de juros com ‘‘spreads’’ altíssimos.
A falta de dinheiro para financiar a atividade produtiva é brutal. Porém, as duas últimas medidas tomadas pelo governo retiraram nos cofres do Banco Central nada mais, nada menos que R$ 30 bilhões que estavam retidos como compulsórios dos depósitos a prazo, hoje com alíquota zero. E para os depósitos à vista, o compulsório dos saldos de conta corrente foram baixados de 75% para 65%.
Vamos analisar os fatos. O Proer injetou no mercado para acudir os bancos nos anos anteriores R$ 25 bilhões. Hoje, o compulsório liberado está injetando R$ 30 bilhões. Será que esta liberação foi uma exigência dos banqueiros internacionais atuantes no País? Ou será que esta medida foi uma maneira de se tentar a recuperação do fraco mercado consumidor para que os compradores em potencial sejam financiados nas compras de final de ano? Ou ainda será uma forma de se elevar a produção industrial, criando-se empregos e aumentando-se o consumo?
Pensando assim, se o IOF foi reduzido de 6% para 1,5%, por que os juros também não foram reduzidos na mesma proporção? A liberação dos recursos dos compulsórios deveria ter sido feita de forma gradativa para que fosse possível o controle dos juros, o que estimularia o setor produtivo a baratear custos e gerar novos empregos.
Na realidade, os recursos retidos no Banco Central à taxa zero vieram para o mercado com taxas livres. O que o mercado espera agora é contar com taxas competitivas que realmente estimulem a produção evitando-se as lamúrias que o setor bancário vem demonstrando, se posicionando como vítima da inadimplência.
- PAULO AFONSO RODRIGUES é contabilista e assessor financeiro em Londrina

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