Doravante toda a proposição de maior vulto que se fizer ao poder público municipal deve ser remetida para o próximo prefeito. Porque é curto o tempo que resta às atuais administrações. No caso de Londrina, será tarefa da próxima gestão reformular o sistema viário da cidade, de forma a agilizá-lo, diminuindo possibilidades de acidentes e com mais paz no trânsito. O problema mais grave é a inexistência de semáforos que contemplem o pedestre.
Reportagem deste Jornal levantou o problema, mostrando que atravessar as ruas pode ser uma aventura para o caminhante. Porque, se a faixa para ele não é muito respeitada pelos motoristas, é também porque só existe sinaleiro para o veículo e não para as pessoas. Em todas as cidades do mundo mais civilizado o pedestre tem vez e preferência no trânsito e isto é regulado pela sinalização correspondente.
É, então, o poder público o primeiro que precisa respeitar o pedestre. Quem anda nas ruas e quem dirige são iguais pessoas, mas por trás do volante há mudanças de comportamento. Assim, a inocente máquina ganha prioridade, porque tem em seu comando um condutor que, nessa condição, potencializa-se e parece perder o senso da responsabilidade. Mas numa cidade como Londrina que, até o fim do ano, estará se aproximando dos 300 mil veículos registrados no município (mais os que vêm de outras cidades), será preciso que o novo prefeito dê atenção às deficiências técnicas existentes, começando por implantar semáforos destinados a dar vez ao pedestre e por sincronizar todo o sistema de sinalização eletrônica. Existem só dois ou três pontos com sinais para o pedestre, numa cidade com centenas de cruzamentos perigosos.
Há muitos ajustes por fazer e o prefeito que assumir terá de abandonar amadorismos e contratar especialistas em engenharia de tráfego. Como as ruas são as mesmas e não podem ser alargadas (a não ser em alguns casos) e há aumento constante de veículos em circulação, há que adotar soluções sábias. Também hábitos tradicionais deverão ser mudados, como o abandono progressivo do veículo individual e a adoção mais frequente do transporte coletivo. Também será necessária a eventual mudança no sentido de algumas ruas, implantar sinais de luz intermitente em pistas de escoamento, para o tráfego fluir, e outras tantas reformulações. A lista é grande, e só uma minuciosa pesquisa, a cargo de especialistas, dirá com mais precisão o que será preciso fazer.

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