Melhorar a qualidade do SUS
Está certo o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, ao declarar em artigo publicado ontem neste Jornal que é preciso melhorar a gestão do Sistema Único de Saúde, o SUS. Mas quando diz que é preciso obter mais recursos para a instituição, não se sabe se quer dizer dinheiro por via de mais impostos. Além de outras fontes, a Saúde vale-se da receita da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF, que no último exercício anual recebeu R$ 38 bilhões, prevendo-se R$ 2 bilhões a mais no ano que vem. Todo aquele montante, conforme se leu no noticiário econômico recente, o governo federal mantinha retido como reserva de caixa no Tesouro.
Portanto, parece não muito necessitado de recursos para a saúde pública. Dinheiro existe, com a perspectiva de a CPMF continuar até o final deste governo, como deseja o Planalto. O que falta mesmo é consciência, que uma vez existente a boa gestão se opera. O SUS, com as disponibilidades que tem, funciona - pela boa vontade dos atendentes - embora pague ninharia a médicos e a hospitais. O médico recebe por consulta o valor de um sanduíche genérico, que não é nenhum McDonalds! O ganho por uma cirurgia é igualmente baixo e a rede hospitalar também não é bem contemplada. Coisas inconcebíveis e só existentes neste país onde os políticos - de baixa utilidade - se locupletam.
O ministro cita números expressivos, que devem ser verdadeiros, como os de que só no Paraná o SUS prestou 35 milhões de atendimentos em 2006 e realizou 727 mil internações. Isto não significa, com toda a boa vontade, uma garantia de excelência, considerando o pouco que o médico recebe e o baixíssimo tempo que dedica a uma consulta. Apenas demonstra o grande volume de doentes neste país que o naturalista Saint Hilaire classificou de um grande hospital. Conclui-se, por obviedade, que o setor precisa de mais recursos, mas estes precisam ser buscados na fonte específica já abarrotada que é a caixa-reserva da CPMF.
Algo que soa revoltante, mas que os governantes sempre dizem e o ministro também o faz em seu artigo, é que os atendimentos sociais são gratuitos. Ora, o povo paga por tudo e não há nada gratuito. Ou não valem nada os mais de 4 meses anuais que cada trabalhador dá ao governo em forma de impostos?! O presidente Lula deve pensar também que o programa bolsa-família é gratuito, como se o dinheiro fosse oriundo da grande produção ''da lavoura'' de Brasília. Deveria merecer reprimenda pública uma autoridade que fale em gratuidade quando o governo faz algo para o povo.
Um ministro pode fazer muita coisa, se tiver autoridade e boa vontade, e o titular da Saúde pode provocar uma revolução no SUS, de forma a que pague melhor os atendentes da saúde pública - pessoas e instituições - e o mais eles farão!





