Melhora da economia
Depois de quatro meses de quedas consecutivas, a inadimplência dos consumidores subiu 3,7% em outubro se comparado a setembro. No entanto, não é preciso alarme, uma vez que na avaliação de especialistas se trata de "efeito sazonal", provocado pelo aumento do consumo no Dia das Crianças e o maior número de dias úteis em relação a setembro. No acumulado do ano (de janeiro a outubro) o índice ainda apresenta queda de 0,6% na comparação com o ciclo anterior a primeira queda histórica da série para o período.
Inadimplência em queda não significa que a população está sem dívida. Último balanço divulgado pelo Banco Central no mês passado aponta que o índice bateu novo recorde em agosto (na comparação com julho) e atingiu 45,36%. O indicador reflete a dívida das pessoas no total da renda anual das famílias. Foi a oitava alta seguida. A explicação oficial do governo para o aumento do endividamento é que houve a troca entre o pagamento do aluguel pelo financiamento da casa própria. No entanto, mesmo com o desconto do crédito habitacional, o comprometimento da renda aumentou de 19,91% para 19,96% (o que corresponde ao endividamento das famílias com o sistema financeiro nacional).
Embora o endividamento esteja em alta, novas projeções indicam que pode haver uma melhora na economia neste final de ano. Ainda que o IPCA (índice oficial da inflação) tenha registrado alta nos últimos dois meses, analistas do mercado financeiro consultados pelo Banco Central revisaram para baixo a estimativa de inflação. Projeções indicam que o IPCA deve fechar o ano em 5,84%, o mesmo patamar registrado no ano passado.
Todo final de ano há uma melhora na economia. A injeção do 13º salário, aliada ao aumento do otimismo entre os consumidores, acaba por movimentar fortemente o varejo. No entanto, é importante que as atenções se voltem para 2014. Como é ano eleitoral, e a presidente Dilma Rousseff (PT) concorre à reeleição, pode existir uma tendência de "maquiagem" em índices ou alguma tentativa de inflar artificialmente a economia. Por isso, a sociedade deve acompanhar a evolução dos números. Se os indicadores não forem reais, certamente a conta ficará para 2015 e virá muito mais alta.





