Melhor solução é volta ao trabalho
Nunca se imaginava que uma administração petista viesse a declarar que uma greve tenha chegado ao ''limite do bom senso'', porque, nas últimas duas décadas, foi o ideário do PT que predominou no sindicalismo brasileiro quando das decisões de deflagrar paralisações do trabalho, e o partido sempre achou sensatas todas as greves. Em nota pública, ao qualificar a extensão da greve dos servidores municipais de Londrina como insensatez, a Prefeitura conclamou os grevistas a retornarem ao trabalho, como condição única para o prosseguimento da negociação. Se, quando era decorrida uma semana de greve, este Jornal afirmou neste espaço que já havia passado tempo demais para discutir a questão e para a tomada de uma decisão, agora já se conhece a posição patronal: não há possibilidade de conceder aumento, ao menos não nas condições solicitadas. O apelo da Prefeitura, contido na nota, foi especialmente para o pessoal da saúde, da educação e da assistência social, cuja atuação tem a ver diretamente com o público doentes, escolares e carentes. Se há uma promessa de continuar a negociação, os grevistas devem considerá-la, e há que acreditar na palavra do prefeito quanto a esse compromisso. A população não é contrária a que os servidores públicos tenham bom ganho, mas já começa a inquietar-se e poderá voltar-se contra eles, em função da piora do atendimento de saúde, da assistência social aos carentes e da paralisação das aulas em grande parte das escolas. A volta ao trabalho não invalida a possibilidade de um acordo, e este é um trunfo de que os servidores dispõem, mas será preciso avaliar até onde a Prefeitura pode conceder aumento. Não é somente pedir e parar o trabalho, porque há um orçamento a cumprir e a receita tem limite. A Prefeitura deve, por isso como informação aos grevistas e à população divulgar números, como receita e despesa e quanto a concessão do aumento representaria para o caixa. Se existe uma lei de responsabilidade fiscal a ser cumprida, a comunidade deseja saber qual é a realidade, com dados claros e de fácil entendimento, e assim ficará informada e poderá assumir uma posição mais consciente acerca dessa paralisação, que já entra no 17º dia. Seria bom divulgar uma tabela de ganhos por categorias funcionais saúde, educação, burocratas, escalões mais altos para a opinião pública saber quanto e para quem paga. O prefeito, com certeza, contará com o apoio dos cidadãos se demonstrar claramente a impossibilidade de atender ao pleito dos servidores. No momento, o caminho mais sensato é os grevistas acatarem a conclamação patronal e voltar ao trabalho. Se prevalecer o bom senso, não há riscos a temer.





