A história de rivalidade entre irmãos vem desde os tempos bíblicos, basta lembrar de Caim, que matou Abel por ciúmes. Hoje, poucas vezes se vê a rivalidade chegar a esse ponto, mas as brigas entre irmãos, principalmente quando crianças, deixam os pais ''malucos''.

O que poucos pais se dão conta é que muitas vezes estimulam esse comportamento entre os filhos, mesmo sem saber - e sem querer. As comparações, tão habituais, são capazes de deflagrar a guerra entre os pimpolhos e até entre os mais velhos. Maura de Albanesi é psicóloga e diretora do Instituto de Psicologia Avançada de São Paulo e dá dicas de como facilitar esse relacionamento.

A senhora afirma que o ciúme é a maior causa de rivalidade entre os irmãos. O processo é natural ou estimulado pelos pais?
Há um ciúme natural, principalmente do primeiro filho para o segundo, mas os pais também podem estimular esse comportamento. Não o ciúme em si, mas a competição. Quando os pais dão preferência mais para um do que para o outro, ressalta as qualidades de um em detrimento das do outro, vão gerando competitividade e raiva.

Esse comportamento se agrava por que os pais querem que os filhos sejam iguais?
É um ponto crucial. Os pais ficam idealizando uma família perfeita. Pega a qualidade de um, vê que é boa e quer que o outro filho tenha comportamento parecido, faça tudo igual. Eles começam a fazer essas comparações, fazem isso na intenção de trazer o comportamento bom de um para o outro. E o tiro sai pela culatra, não é assim que funciona.

Irmãos do mesmo sexo, com idades próximas, tendem a ter mais ciúme, ou isso é indiferente?
Diria que o sexo não interfere tanto. O que interfere mais é a proximidaade de idade.

No caso de gêmeos, também há ciúme ou o fato de compartilharem tudo desde a barriga da mãe faz com que sejam mais unidos?
Vai depender muito da criação, porque em gêmeos essa proximidade da idade e dos interesses é muito maior. Vai muito da destreza dos pais em preservar a individualidade de um e de outro, sem tornar os dois uma coisa só. É importante respeitar as diferenças para não despertar a competitividade, porque aí o ciúme fica maior, especialmente quando os irmãos são muito parecidos. Gêmeos univitelinos acabam se tornando um só, até pela mania dos pais de colocarem a mesma roupinha.

A senhora fala em tratar os filhos de maneira diferente. Isso vai contra o que a maioria das pessoas pensa...
Não é de forma diferente, mas de forma a respeitar o que aquele filho precisa. Às vezes o pai diz que trata os filhos de forma igual. No Natal dá o mesmo presente para todo mundo. O que esse filho está precisando, o que está querendo?

Como os pais devem proceder para diminuir o ciúme?
Os pais devem olhar para o filho e ver quem é essa pessoa, quais as qualidades, reforçar sempre o positivo de cada um, pois isso aumenta a autoestima. Os pais educam muitas vezes olhando o ruim, veem os defeitos para o filho se corrigir. Precisam estimular o positivo que naturalmente a pessoa vai fazer tudo cada vez melhor. A nossa educação é justamente ao contrário. O positivo é obrigação. Às vezes o filho vai mal em matemática e vai bem em português. O pai só fala da matemática, não ressalta as qualidades em português. Os pais não reconhecem o bom de um filho. Ou reconhecem de um e não reconhecem do outro. Isso cria a rivalidade.

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