Melhor qualificação do produtor rural
Há um Brasil que caminha, apesar da vagareza governamental em tomar decisões que acelerem o desenvolvimento. Nas atividades relacionadas com o campo é onde ocorrem os maiores avanços, e não só quanto à produção e à produtividade pela presença da tecnologia, mas também na qualidade dos produtos e melhoria da vida no campo. A Folha Rural de sábado mostrou perfis do Programa Empreendedor Rural, que se desenvolve no Paraná e centra-se na qualificação da mão-de-obra, assim como no aperfeiçoamento de competências pessoais, na criação de projetos, nas estratégias de comercialização, financiamento da produção, planejamento estratégico, matemática financeira, orçamento e fluxos de caixa, gestão ambiental e especificidades do setor agropecuário.
Criado há apenas um ano pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), o programa é gratuito e realizado em parceria com o Sebrae. Compreende 13 encontros semanais e já qualificou milhares de pessoas, prevendo-se um total de 7.500 no Estado, até o fim do ano. A validade dessa formação é que ela se estriba em diagnóstico da propriedade e em informações de mercado, como custos e rentabilidade, capacitando o produtor a criar projetos de melhoria em sua propriedade, sem grandes investimentos mas segundo os recursos disponíveis.
No dizer de Ágide Meneguette, presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná, entidade que dá sustentação ao Senar por via da contribuição dos próprios produtores, programas específicos como este são fundamentais ''para resgatar a confiança do homem do campo''. Sabe-se que, além de propiciar o atual superávit da balança do comércio exterior, o agronegócio é o responsável por cerca de um terço do PIB brasileiro, pelo aumento da oferta de empregos somam 1,1 milhão hoje os trabalhadores do campo, no Paraná e agora pelo revigoramento de uma classe consumidora fora dos centros urbanos.
Graças a essa dinâmica, a tendência é o produtor converter-se num capacitado empresário rural, protegido de fórmulas equivocadas de tocar seu negócio. Como consequência, haverá um aumento de 3% dos empregos no meio rural, no exercício de 2004, segundo cálculos do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.
Como afirma o instrutor Luciano Soares Faria, do Senar, o melhor investimento que o produtor rural pode fazer é em si mesmo, e o que hoje acontece é o resultado de uma nova mentalidade que veio se plasmando por via de cursos, difusão de tecnologias, estreitamento das comunicações e a expansão dos negócios externos incentivando o homem do campo a crer nele próprio, no seu negócio e na valorização da terra como fonte de riqueza.





