As mudanças de comportamento ditadas pelas mulheres são um termômetro das novas formas de relação na sociedade. Esta semana, reportagens publicadas pela Folha de Londrina tratavam justamente desse assunto, discutindo como a mulher do século 21 está encarando a maternidade e o mercado de trabalho.
A primeira observação é quanto ao papel de mãe, condição que as brasileiras estão deixando para mais tarde. Segundo estudo divulgado pelo Ministério da Saúde, num intervalo de 12 anos a proporção de nascidos vivos de mães que já tinham completado 30 anos passou de 22,5% para 30,2%. Desde o ano 2000, o percentual de nascimentos tem aumentado gradativamente nas faixas etárias de 30 a 34 anos, 35 a 39, e 40 anos, e caiu em mulheres com 15 a 19 anos, e 20 a 24, no mesmo intervalo de tempo.
Um dos fatores que explicam o aumento da taxa de gestação depois dos 30 anos é a preocupação da mulher com a formação acadêmica e a consolidação da carreira profissional. Muitas querem se casar e ter filhos depois de se fixarem em um bom emprego. Nesse aspecto, o Brasil está seguindo a tendência de outros países desenvolvidos.
O problema é que mesmo com dedicação à profissão e à escolaridade, as mulheres brasileiras continuam atrás dos homens quanto ao rendimento salarial e inserção no mercado de trabalho. Pelo menos foi o que apontou a pesquisa Estatísticas de Gênero (análise dos resultados do Censo Demográfico 2010), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E isso acontece apesar delas apresentarem índices de escolaridade superiores aos dos homens. Segundo o IBGE, as mulheres têm menor taxa de analfabetismo, ficam com maior parte das vagas em universidades e, no ensino médio, estão mais presentes na idade escolar certa.
Infelizmente, esse cenário não foi suficiente para diminuir a diferença salarial entre os sexos masculino e feminino. O rendimento médio mensal delas equivale a 68% dos homens.
Diminuir essa diferenciação é um desafio para a sociedade. A discriminação acontece nas famílias, pois ainda é comum que a mulher que trabalha fora assuma, com pouca ajuda dos maridos ou companheiros, os serviços domésticos e a educação dos filhos. Por parte dos governos, falta melhorar as políticas públicas que as ajudem a sair de casa para conquistar um emprego melhor remunerado e valorizado, como por exemplo a ampliação das vagas em creches e escolas de período integral.

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