Melhor caminho é o do 'bom enfrentamento'
A psiquiatra Sandra Vargas Nunes diz que vários estudos científicos, feitos a partir da década de 70, especialmente nos Estados Unidos, vêm apontando a estreita relação entre os estados de depressão e de desesperança e a diminuição da capacidade imunológica do organismo. Os primeiros desses estudos foram feitos com ratos e demonstraram uma clara associação entre estados depressivos e diminuição da imunidade, implicando em agravamento de problemas de saúde e em sobrevida menor.
As pesquisas continuaram, com a observação de grupos de pessoas submetidas a situações de stress maridos de mulheres com câncer de mama e esposas de homens sofrendo de câncer de pulmão , confirmando os resultados anteriores. Verificou-se que o enfrentamento de um momento difícil na vida era capaz de afetar a imunidade orgânica das pessoas envolvidas, diminuindo o número de suas células ''natural killers'', encarregadas de proteger o organismo de inimigos virais ou bacteriológicos.
Outros estudos foram feitos na década de 80, a partir do acompanhamento de dois grupos de mulheres com câncer de mama. Um optou por contar com uma terapia de apoio - um espaço em que podiam expressar seus medos, suas emoções e partilhar o momento difícil com outras pessoas - e o outro, não. O primeiro grupo conseguiu uma sobrevida de 18 meses, em relação ao segundo, além de uma diminuição significativa da ocorrência de metástase. Em 1997, outra pesquisa, utilizando os mesmos parâmetros, não só referendou os resultados obtidos no estudo anterior, como registrou a substancial melhora das mulheres que demonstraram espírito de luta e otimismo, no sentido de aceitar a existência do câncer e ir em busca de informações e alternativas, acreditando efetivamente na possibilidade de cura.
De acordo com Sandra que, juntamente com o médico José Eduardo Siqueira, publicou o livro ''A Emoção e as Doenças'' pela editora UEL, ''pode-se dizer que as pessoas optam por um bom ou por um mau enfrentamento de seus problemas de saúde e que essa atitude positiva ou negativa irá repercutir diretamente nos resultados que vão obter''. Quem tem a atitude do ''bom enfrentamento'', segundo a psiquiatra, vê o problema com otimismo, buscando apoio e alternativas que possam cooperar para a sua solução. Oferecem uma resposta ativa ao problema. Já as pessoas que têm a atitude do ''mau enfrentamento'' começam, muitas vezes, por não aceitar a existência do problema, privando-se, por isso, de buscar soluções mais adequadas ao seu caso. Por outro lado, isolam-se socialmente e recusam-se a partilhar suas emoções, gerando uma passividade, que pode significar ''uma entrega, uma desistência'' em relação à doença. Em termos de ampliação da sobrevida, como demonstram os vários estudos realizados, as chances daqueles que optam pelo ''bom enfrentamento'' são sempre muito maiores.
Até a Organização Mundial de Saúde (OMS) relacionou recentemente, entre os ''eixos'' que devem servir de parâmetro para a definição de qualidade de vida, aspectos como ''auto-estima, imagem corporal, concentração, percepção de futuro'', além de ''crença, espiritualidade e religiosidade'', revelando que saúde e bem estar podem depender muito mais do equilíbrio interno de cada indivíduo do que das circunstâncias que o rodeiam.





