Meio ambiente: momento de reflexão
Meio ambiente: momento de reflexão
Anilde Tombolato Tavares da Silva
Convencionou-se marcar 5 de junho como Dia Mundial do Meio Ambiente como forma de estar questionando as ações do homem sobre o Planeta e as consequências destas ações. Como se este fosse o único dia para se refletir as questões ambientais e a crise que se instalou neste final de século.
O homem sempre foi apontado como o foco destas ações devastadoras, colocado muitas vezes como um facínora ou o lobo mau da história. Afinal, é ele que dentre as várias espécies animais se distingue, entre outras coisas, por ser capaz de usar e criar instrumentos que lhe permitem transformar e mesmo destruir a natureza. Enquanto ser histórico, ele é capaz de criar história, de perceber passado, presente e futuro, de ter planos e projetos.
Não é por acaso então que a crise ambiental e a sobrevivência do Planeta têm sido temas bastante discutidos na atualidade e vem cercados de apelos como Salve o Planeta, Defenda o Verde ou A Natureza pede socorro. São expressões muito comuns nas publicações e nos meios de comunicação de massa quando tratam desta questão e já projetam em si mesmo a percepção do futuro e uma necessidade de projetos educacionais.
Neste embate, a educação passa ser um dos caminhos para disseminar, principalmente entre as crianças e jovens uma consciência e atitudes com relação aos cuidados com o Planeta. Várias são as propostas de educação ambiental. Contraditoriamente, são propostas que deparam com o avanço tecnológico da informação, da robótica, da manipulação genética.
A crise ambiental constitui uma marca registrada do final do século XX, que toma conotação de um problema novo, não pela sua natureza, mas pela intensidade e amplitude atualmente globalizadas, mas que precisa ser analisada e compreendida dialeticamente no seu tempo e espaço.
A medida que a sociedade foi se produzindo, mostrou-se ávida pelo lucro e, portanto, na base da busca de toda a riqueza e da produtividade econômica dos homens se encontrou a produtividade natural da terra, entendida no sentido amplo de espaço de vida e produção. Mais ainda, o pressuposto da existência do ser humano foi a produtividade da natureza e portanto, as primeiras formas de organização social.
Em outros tempos, a magnitude da crise ambiental não pôde ser prevista pelo homem, ou melhor, o capitalismo só previa o progresso da técnica e a combinação do processo social de produção, e não seu resultado pelo esgotamento do solo, exaurindo a fonte natural da riqueza: a natureza
Historicamente, o desenvolvimento científico na sociedade capitalista trouxe a noção de que a natureza deveria ser considerada tão-somente como o objeto de trabalho e de exploração e que produzir cultura tornaria o homem aparentemente independente da natureza, convencendo-se que através da ciência e da tecnologia poderia resolver todos os problemas ambientais que ele próprio criou.
Com o advento da Revolução Industrial, a capacidade do ser humano de dispor da natureza aumentou vertiginosamente, o que resultou em efeitos positivos e negativos. Nos países industrializados, as cidades cresceram, e, para seu abastecimento, a agricultura também modernizou-se, utilizando mecanização, adubos químicos e agrotóxicos. Houve um notável avanço na tecnologia, e parcela da população teve acesso a mais bens de consumo. Mas também aumentaram a degradação do meio ambiente; o esgotamento dos recursos naturais; e quantidade da poluição e de lixo. Sem contar com o acelerado desenvolvimento das pesquisas científicas, em busca de maior produtividade, com alimentos transgênicos e modificações genéticas em animais comercializados, que ainda não mostraram seus efeitos para a humanidade no futuro.
A necessidade da educação ambiental tornou-se, então, imprescindível para a transformação da mentalidade e na formação de uma consciência voltada para a valorização da natureza e do homem. A educação passa a ser considerada responsável por desenvolver e promover o homem. A educação ambiental nos impõe o desafio de fazer não apenas um dia para refletir estas questões, mas uma busca constante de novas explicações e saídas, novas formas de pensar e agir individual e coletivamente.
- ANILDE TOMBOLATO TAVARES DA SILVA é professora universitária em Londrina





