Medo petista pelo reflexo da crise na eleição
A preocupação do PT não é com o eventual aumento do desemprego por causa da crise, mas que o desemprego lhe tire votos na eleição presidencial de 2010. Assim é que se portam os parlamentares do partido, pouco preocupados com as questões de interesse da população e sim que esses interesses não atendidos resultem em prejuízo político. Esta é a triste realidade que impera e uma amostragem dos homens públicos que se tem.
Eles nem têm o zelo de esconder isto do povo, porque afirmam publicamente essa preocupação. Como fazem agora os deputados federais e senadores petistas (e assim é também nos demais escalões legislativos), que se articulam para evitar o crescimento do discurso da oposição sobre a crise, porque temem reflexos eleitorais em 2010. Deduz-se que as medidas anticrise do Governo não visem propriamente beneficiar os brasileiros e sim não perder arrecadação e não obstruir o caminho para a continuidade no poder.
É do regime democrático esse anseio, politicamente aceito se a meta é dar sequência a programas desenvolvimentistas do partido e do Governo - quando eles existem - e não por mera ambição de poder. Por isso que, paralelamente às reformas na área política, há que haver primeiro a reforma de mentalidade. Porque, sabendo-se que o espírito público dos políticos não é grande, não se poderá esperar melhora de comportamento dessa comunidade, detentora de tanto poder. O receio predominante do petismo, pelo que se constata, não é com a redução de postos de trabalho e sim que isto ocorrendo converta-se em bandeira oposicionista. Porque isto significaria perda de votos. O mesmo se diz das oposições, que visam tirar proveito da intensificação da crise no Brasil (reflexo da crise mundial) para, também elas, assumirem posições de comando. Tudo é pelo poder, que não significa um ardor cívico pela causa das grandes soluções nacionais mas apenas a ocupação dos postos, com todas as regalias que vêm a reboque.
Um deputado governista diz que ''a maior conquista do Governo foi a geração de tantos empregos'' - um mérito que não é nada governamental e sim do arrojo e dos avanços do empreendedorismo privado, apesar do Governo. Ele diz que é preciso incentivar as empresas, que são as que geram trabalho e ganho, mas não assinala para atitudes como diminuição de impostos que resultaria em mais folga da cadeia empresarial para expansão e mais contratações, nem com mudanças na legislação do trabalho que é um dos terrores da classe empresarial mesmo cumprindo inteiramente as obrigações trabalhistas. Porque essas coisas não rendem votos.





