MEDO DA IDADE - Envelhecer não é ruim
No Brasil, hoje, a população de idosos é de 15 milhões e nos próximos 20 anos deve chegar a 30 milhões. O geriatra Marcos Cabrera ressalta que qualidade de vida é fundamental para se viver bem essa fase da vida, ser produtivo e fazer atividades físicas contribuem para essa qualidade. ''Sempre digo que o ideal do envelhecimento é que a gente vá em pé ao cemitério, chegue com dignidade ao dia da morte, que é o final do envelhecimento.''
Qual a idade ideal para começar a se prevenir dos problemas que surgirão na terceira idade?
A partir dos 30 anos estamos com todo o processo de envelhecimento bastante desencadeado, essa é uma boa idade. Claro que isso é heterogêneo, há pessoas que aos 30 estão muito bem, e quem antes disso começa a desenvolver doenças associadas à idade. É importante lembrar que os problemas surgem por causa do processo de envelhecimento, que faz alterações fisiológicas e deixa o indivíduo mais vunerável, quem vai tirar a qualidade da velhice são as doenças.
Quais as atividades físicas ideais?
Atividade física é o eixo central de um estilo de vida saudável para qualquer idade. Temos três tipos: aeróbico, alongamento e musculação. O ideal é que o indivíduo faça os três em qualquer idade. O aeróbico é a atividade em que o coração bate mais forte, pode ser caminhada, natação, corrida, dança, hidroginástica; o alongamento e a musculação ajudam, porque é difícil escapar daqueles pesinhos.
Os grupos de idosos ajudam?
Eles são uma opção importante no Brasil, mas temos que vislumbrar uma sociedade onde os idosos estejam distribuídos por todas as áreas, no mercado de trabalho, inclusive em cargos de direção, sendo responsáveis pelas suas famílias. No Japão o idoso continua tendo um poder dentro da família muito grande e quando passa a não ter esse poder é muito acolhido. A sociabilização e o lazer são fundamentais para um envelhecimento saudável. A nossa sociedade vai crescendo e colocando o idoso no cantinho, nas beiradinhas e quem é minoria forma gueto, se for fazer uma análise dos grupos da terceira idade eles representam um gueto, pessoas que ficaram sem opção e se juntaram.
Como se preparar para deixar o mercado de trabalho?
Existem opções: primeiro fazer mais do mesmo, se aposenta e continua trabalhando na mesma área; outra possibilidade é fazer uma reviravolta, porque quando entrou na carreira tinha uma necessidade financeira que o fez escolher em cima do pragmatismo e ficou aquele desejo secreto, é a chance de fazer o resgate. E o terceiro é se juntar com outras pessoas e tentar formar cooperativas, grupos, entrar em ONGs, voluntariado, participar de produções artísticas. Para essas três coisas é fundamental ter condições de saúde e informação, talvez aí o grande ponto que o idoso erre é na hora que acha que não precisa ter novas informações.
Por que as pessoas têm medo de envelhecer?
Porque os nossos atores idosos não estão sendo bem apresentados na sociedade. Culturalmente existe um conceito de se querer sempre gente nova. Acredito que o interessante é gente nova para fazer algumas coisas, gente velha para fazer outras, essa especificidade é importante para o indivíduo. Parece que as pessoas vivem como atores principais do filme da vida deles por um tempo e passam a ser coadjuvantes em outros. Passam a viver e sonhar com a vida dos filhos, ficam pouco focados na vida deles, isso é um grande equívoco, porque quando se focam, acabam também ajudando as outras pessoas. Na ótica do filho e do neto é extremamente importante que os avós sejam produtivos, felizes, é muito angustiante ter piedade das pessoas mais velhas, até porque nos assusta, porque vamos chegar lá. Aí as pessoas acham que é ruim envelhecer, elas não querem envelhecer. Essa idolatria da jovialidade é uma coisa real.





