O medo de voltar a sentir dor é um dos principais obstáculos para o sucesso do processo de reabilitação da lombalgia. Segundo a fisiatra Lin Tchia Yeng, do Instituto de Ortopedia e Traumatologia do HC, após a instalação da lesão inicial, a tendência de algumas pessoas é evitar os movimentos que possam causar a dor. ''A pessoa pensa que ficar deitada no sofá vai poupá-la da dor. A regra é exatamente outra. A pessoa tem que se movimentar. Exercícios de alongamento e de condicionamento cardiovascular são fundamentais'', diz Yeng.
Para a médica, o medo da movimentação e da ocorrência de novas lesões está muito mais relacionado a sintomas depressivos do que com a dor nas costas propriamente dita. Segundo ela, estudos realizados com policiais na Irlanda do Norte e na Inglaterra e com enfermeiras na Alemanha e na Bélgica demonstraram que a proporção de indivíduos com lombalgia crônica não dependeu da frequência ou intensidade de exposição a estressores físicos, mas sim dos fatores psicossociais, como o estresse e as dificuldades no trabalho.
Em razão dessas questões emocionais, a pessoa tende a retardar a sua volta ao trabalho, o que oneraria ainda mais o sistema previdenciário. Estima-se que 10% das vítimas de casos crônicos de lombalgia fiquem afastadas por mais de seis meses e cheguem a utilizar até 70% dos recursos disponíveis para o tipo de problema.

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