Medo da ciranda inflacionária
A ida às compras neste final de semana reforça, infelizmente, as expectativas em torno de um final de ano pesado para o consumidor brasileiro, com a preocupação referendada por alguns analistas econômicos sobre a possibilidade da volta da ciranda inflacionária no período de transição de governo e nos primeiros meses de Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência da República. Não só nas prateleiras dos supermercados, mas inclusive nos itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) a alta de preços está presente.
De acordo com o Instituto, dos 523 itens pesquisados, 81,6% apresentaram variação positiva na primeira quadrissemana de novembro. Em outras palavras, tiveram seus preços aumentados. O óleo de soja, para o consumidor final, é a prova incontestável de que algo não vai bem na economia brasileira, pois tentar justificar que a transição provoca o redemoinho é explicação inválida e inconsistente nos dias de hoje. O produto está nos supermercados a até R$ 2,65 a lata de 900 ml, encontrando-se ainda raras promoções ao preço de R$ 2,35 a mesma lata, de outra marca, em alguns estabelecimentos. Nos últimos seis meses, o óleo de soja subiu 85,71%, de acordo com pesquisa da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor e Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. O mesmo levantamento indica que a farinha de trigo, que depende do trigo importado, teve o preço elevado em 78,25%, enquanto o açúcar subiu no período 75,53%.
Há de se considerar ainda que, conforme estimativas de analistas, pelo fato da taxa real de juros (descontada a inflação) estar muito baixa, chegando a ser negativa dependendo do índice que se toma como referência, cria-se a expectativa de que os aumentos de preços serão maiores do que a remuneração das aplicações. E este fato estimularia ainda mais o consumo nos próximos meses, fazendo com que o aplicador com disponibilidade para comprar um bem durável, como um carro, troque a sua poupança pelo consumo.
Algo, enfim, deve ser feito. A transição é apenas o período intermediário entre um governo e outro, cabendo a quem está encerrando o mandato tomar, neste caso, as providências devidas.





