Medo constante
Embora as estatísticas oficiais apontem para a redução dos índices de criminalidade, a população não sente na prática as consequências deste número. A violência registrada vai muito além da taxa de homicídios, que embora gravíssima não atinge a maioria das pessoas. No entanto, a insegurança e a sensação de impunidade estão constantemente presentes na vida dos paranaenses.
Assaltos a mão armada, arrombamentos, furtos e vandalismo são atos que tiram a tranquilidade das pessoas. Os relatos apresentados em reportagem desta FOLHA expõem claramente essa realidade. Moradores e comerciantes ameaçados e com medo de registrar uma queixa na delegacia por temer represálias não são poucos.
Outros simplesmente acreditam que o boletim de ocorrência não terá qualquer efeito. Vivem resignados a uma rotina de medo, sofrendo as consequências da falta de investimentos e de garantia de seus direitos constitucionais.
O Estado, que cobra caro a prestação de seus maus serviços, está acomodado. Confortável o suficiente para sugerir que a população, que já arca com o altíssimo custo da carga tributária, contrate também serviços de segurança particular.
Não precisaria nem lembrar que boa parte da população já paga a educação privada de seus filhos e o plano de saúde, o que também são garantias constitucionais. Já passou da hora de a população se articular e exigir a prestação de serviços de qualidade, pelo menos à altura do preço pago.
Além disso, também já é passado o momento de discutir um novo Código Penal. Recursos têm sido muito bem usados pelos advogados para postegar a aplicação de penas. Ao final de longos anos, a Justiça até pode ser feita. Mas, neste caso, há outras discussões. Penas brandas para alguns crimes e excessivamente pesadas para outros, indultos e a redução da sentença por questões como bom comportamento prisional precisam ser revistos.
O que se vê e efetivamente ocorre é uma população acuada, enquanto os marginas agem tranquilamente. A sociedade não pode ficar impassível diante desta realidade. A hora de reação já é tardia, é preciso ação. É preciso mobilização para reverter este quadro porque, neste quesito, a tendência sempre é piorar.





