Sem entrar no mérito acerca da forma adotada pelas autoridades para prender o vereador Orlando Bonilha, não tem sentido a enxurrada de opiniões de vários de seus colegas de que o episódio causa prejuízo à Câmara Municipal, porque o que se dá é o contrário: afastando seus membros acusados de irregularidades no exercício da função, salva-se a instituição. Perpetuando-se o estado de coisas sem as medidas cabíveis de contenção e com a multidão lá fora bradando pela aplicação da lei, aí sim a Casa, como poder, ficaria desmoralizada. O caminho de preservação da sanidade institucional passa por processos como o ontem ocorrido em Londrina.
O presidente da Câmara declara temer que o Legislativo sofra desgaste com o episódio da prisão, mas os fatos já vinham se desenrolando e municiando o noticiário, e não será esse desfecho, por si só, que maculará a Casa. Ao contrário, dá mostra de uma solução saneadora. Se existe prejuízo moral, este será dos vereadores denunciados por concussão, porque o Poder permanecerá soberano. E ao contrário de outras opiniões manifestadas no círculo parlamentar, a cidade também não perde, mas se engrandece politicamente quando medidas punitivas são adotadas na esfera da administração pública. Outro vereador declarou que há um clima de constrangimento, e isso deve ocorrer, mas não pela consequência e sim pela causa. Porque o lamento dos pares, agora, é pelo resultado funesto dos atos ilícitos e não pelo fato de que eles vinham ocorrendo. Este um ponto fundamental a observar. Porque, se nem todos participam, todos sabem das falcatruas desse gênero, ou no mínimo intuem. Em outras palavras, o lamento é porque os acusados de desonestidade foram descobertos.
A prisão ''deixa a Câmara arrebentada'', afirma outro membro da Casa, mas essa afirmação não tem consistência. À medida em que a marcha desse processo avança, menos constrangedora irá ficando a situação, por demonstrar ação, que é o que tem escasseado no Brasil em casos dessa natureza. O Legislativo municipal permanecerá, independente do comportamento de seus integrantes temporários. A desmoralização de um poder legislativo ocorreria se, por ato ditatorial (como já aconteceu na República) sua ação fosse cerceada e um comando arbitrário passasse a atuar.
Se um colega mencionou o desgaste sofrido pelas famílias dos vereadores denunciados - algo penoso para elas - atente-se que eles próprios não se preocuparam com isso ao cometer e repetir seus desmandos. O que ocorre na Câmara Municipal de Londrina é um processo de purificação, e isso resultará bom para a imagem do Poder Legislativo.

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