Medidas pífias para salvar a Amazônia
É muito pouco, embora já seja uma providência, a metodologia da operação anunciada pelo Governo federal para combater o desmatamento amazônico, depois da estarrecedora revelação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) de que a taxa de destruição da mata disparou em 2007. Porque, em tal caso, deveria ser utilizado todo o efetivo especializado do Exército (que dispõe de mais de 300 mil homens) e não apenas a Polícia Federal. Os 36 municípios campeões em desmatamento foram proibidos de fazer novas derrubadas, mas pergunta-se como policiar isto.
Não é aumentando em apenas 25% as equipes da PF e instalando mais 11 bases operacionais na região que se irá guardar a vasta extensão desse patrimônio. Proibições é o que mais existem, mas estão no papel e não são seguidas, porque a floresta é de dimensão continental e a ação dos predadores tem a mesma proporção. Para não falar dos casos de corrupção dos próprios fiscais. A medida anunciada parece ter apenas efeito propagandístico, porque não se vislumbra uma verdadeira guerra de proteção a essa riqueza brasileira, única no mundo dessa natureza vegetal. O Governo pode declarar-se alarmado com a denúncia, como o faz, mas não corresponde em ações que realmente venham a produzir resultados substanciais.
Pelo levantamento do Inpe, foram derrubados 3.233 quilômetros quadrados de matas só de agosto a dezembro do ano, e a ministra Marina Silva declara que a devastação foi mais que o dobro disso, durante todo o ano. O Estado que mais derrubou foi Mato Grosso. Os espaços abertos estão se destinando ao plantio de soja, à formação de fazendas de gado e ao abastecimento de madeira para as siderúrgicas de ferro-gusa.
A ministra declarou o que sempre se ouve: que o Governo agirá com rigor para impedir que o desmatamento cresça. Mas não é apenas diminuir o aumento das derrubadas e sim o fim delas. E, pelo que se deduz da pífia providência anunciada, não acontecerá nem uma coisa e nem outra. A Organização das Nações Unidas, cujo Secretário-Geral esteve na Amazônia no final do ano passado, informa que continuará insistindo com o Brasil na necessidade de que tome medidas enérgicas e urgentes para evitar a perda da floresta. Parece que só mesmo uma força externa, acompanhada de rígidas sanções, será capaz de mover o Governo (e nesse contexto as Forças Armadas) para uma efetiva revolução salvadora da Amazônia.





