A inflação oficial não passa de um dígito e os mecanismos econômicos para medi-la não podem ser contestados. Mas, como se confere em reportagem na edição de hoje, o consumidor brasileiro amarga acréscimos torturantes nos preços dos produtos básicos que, no mínimo semanalmente, precisa comprar nos supermercados.
Seria correto dizer que corre uma inflação paralela, três ou quatro vezes superior que a oficial, e como um redemoinho desfaz o orçamento doméstico? Bem, no Brasil do Real já se fala em poder paralelo. E, infelizmente, este domínio seria do segmento mais nocivo à sociedade, a bandidagem que agora se expõe e enfrenta o poder constituído no Rio.
Não é isso o que a população quer. Nem poder paralelo e nem inflação paralela. O que falta é o jogo de palavras cristalinas. Claras, objetivas e sem subterfúgios, as mensagens tornam-se assimiláveis e até a compreensão dos problemas que cercam esta gente sacrificada fica mais fácil.
Por que o preço do pão dá saltos? Por causa do dólar, dizem os analistas. E o que o dólar tem a ver com o cafezinho da manhã? Boa parte do trigo é importada, respondem os estudiosos do setor. E por que importar trigo, quando se tem terra para plantar e colher?
Perguntas respondidas pela metade. E sobe o combustível, que reflete no tomate. Sobe a energia, que reflete na cenoura. E sobe tudo. Nas estantes dos estabelecimentos comerciais, o efeito bola de neve faz o palito de dente subir muito mais. E ninguém explica o motivo.
Walter Ogama

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