Ao mesmo tempo em que o IBGE divulga uma notícia otimista - indústria produz mais e faz crescer o número de empregos e horas extras -, vem uma notícia tipo ducha fria. É que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, ameaçam importar vários produtos se os preços internos derem sinal de aumento. Um esforço para controlar (artificialmente) a inflação em ano eleitoral. Eles podem até recorrer ao aumento dos juros, mas punir a indústria nacional com importações é mais fácil.
O anúncio da medida vem em forma de advertência, meio autoritária. Assim: ''Se algum setor econômico começar a abusar dos preços, podemos baixar as alíquotas de importação, por exemplo'', ameaçou Mantega - matéria da agência Folhapress, ontem. O ministro afirmou, após visitar uma feira de construção, que acompanha os preços dos produtos mais importantes. Tanto o aumento dos juros com redução dos prazos de crédito, para inibir o consumo, como a redução das alíquotas de importação, são medidas que estão à disposição de qualquer burocrata do Banco Central e do Ministério da Fazenda. Não exigem esforço nem planejamento.
O uso de instrumentos de política monetária para inibir o consumo é admissível e possível de ser administrado, mas não é defensável, por ser prejudicial ao fluxo da economia a longo prazo. Agora, criar facilidades para entrada de produtos importados é covardia contra uma indústria que gera empregos, distribui renda e contribui para o social ao pagar mais impostos com o aumento da produção.
São políticas que travam investimentos no setor privado. Da-se o nome de ''anestesista'' a toda ação que vem para tirar o prazer da realização. No caso, os anestesista são as autoridades do governo que preparam um inibidor de crescimento da economia.
Sem uma proposta nova, Meirelles apenas defende uma política rígida de combate à inflação. O Banco Central está comprometido com o sistema de metas de inflação e isso é fundamental, segundo ele. A inflação pega mal para as pretensões eleitorais. Mas inflação não se controla de forma linear e ainda com medidas de efeitos colaterais. Falta planejar um conjunto de ações, inclusive medidas de política fiscal, ponto crucial que não apresentou nenhum avanço nos últimos anos.

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