Médicos sob suspeita
Pouco antes de completar um mês da prisão da médica Virgínia Helena Soares de Souza, responsável pela Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Geral do Hospital Evangélico (HE) de Curitiba, o Ministério Público (MP-PR) do Paraná ajuizou ontem denúncia contra ela e mais sete pessoas, sendo quatro médicos no total, três enfermeiros e uma fisioterapeuta. Seis profissionais daquela unidade estão sendo acusados de homicídio duplamente qualificado e formação de quadrilha. Um enfermeiro e um fisioterapeuta vão responder somente por formação de quadrilha.
O caso ganhou repercussão nacional e espantou a todos. De acordo com a denúncia, no período compreendido entre janeiro de 2006 e 19 de fevereiro de 2013, Virgínia Souza (chefe da UTI) e os colegas teriam provocado a morte de pacientes internados naquela unidade. Os homicídios teriam sido causadas pelo uso de medicamentos ou outros instrumentos. A denúncia oferecida pelo MP teve como base o inquérito policial feito pelo Núcleo de Repressão aos Crimes Contra Saúde (Nucrisa). O advogado de defesa da médica Virgínia Souza diz que ela é inocente.
No último final de semana, outra denúncia envolvendo profissionais da área de saúde chocou o País. Uma jovem médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) de Ferraz de Vasconcelos, em São Paulo, foi flagrada marcando o ponto para colegas utilizando dedos de silicone. A moça vai responder por falsificação de documento público. Segundo a Polícia, ela validava o ponto biométrico de comparecimento de seis profissionais, entre médicos e enfermeiros, com as próteses. Em depoimento à delegacia, a mulher disse que 11 médicos e 20 enfermeiros participavam do esquema. Cada médico pagaria R$ 4,8 mil por mês para o diretor municipal do Samu, que até ontem não havia sido localizado para responder as acusações. Os médicos, que recebiam salário para dar cinco plantões por mês, acabavam trabalhando apenas um.
No caso do interior paulista, não se trata apenas de crime contra os cofres públicos. Vale perguntar quantos pacientes precisaram esperar mais do que o necessário pelo atendimento emergencial, já que havia menos médicos no plantão? O que responder às famílias de pacientes que tiveram seu sofrimento potencializado pela desonestidade de quem deveria promover a saúde? Mesmo pergunta que se deve fazer, caso as denúncias contra os médicos de Curitiba sejam comprovadas.





