Médico pode se recusar a atender
Os médicos têm o direito de se recusar a fazer o aborto, mesmo estando respaldados por lei. Essa tem sido a maior dificuldade dos hospitais da rede em prestar o serviço de aborto legal. As equipes preferem falar de prevenção da gestação, com informação ou contracepção de emergência.
No Hospital Evangélico, a chefe do serviço de atendimento nos casos de violência contra a mulher, Daniele Carraro, diz que foram realizados seis abortos desde que o hospital entrou para a rede em março deste ano. ''Notamos que no começo vieram os abortos que já tinham passado da época de profilaxia. Mas agora essa procura diminuiu e estamos fazendo mais a contracepção de emergência e prevenção de DST'', explica.
A tendência é o aborto se restrinja a casos de falha de medicação ou problemas de encaminhamento, demorando mais do que as 72 horas iniciais. Quando o serviço de atendimento às mulheres violentadas foi lançado, a previsão era de atendimento mensal de 10 pacientes. Mas, segundo Daniele, já estão sendo atendidas 10 mulheres por semana. No caso da necessidade do aborto, ela confessa que ainda há muito tabu. ''Tem muitos profissionais que alegam princípios éticos e pessoais e eles têm direito de não querer fazer. De alguma forma, é tirar uma vida'', diz.
No HC, a chefe do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Claudete Reggiani Melo, diz que ainda não foi necessário realizar nenhum aborto no hospital. Ela enfatiza a necessidade de prevenção da gravidez de risco.
No caso da violência sexual, o hospital tem feito a contracepção de emergência e a prevenção de DST, no prazo de 72 horas depois do estupro. Ela também admite que os médicos têm muita resistência em realizar os abortos. ''Os obstetras são advogados da vida'', diz. Claudete garante, no entanto, que se houver necessidade, o hospital tem que encontrar um profissional que aceite o procedimento.
Uma pesquisa realizada por estudantes da UFPR em 1997 indicou que apenas 26,4% dos leigos entrevistados eram favoráveis ao aborto. Entre os médicos, o índice chegava a 38,9%. Mas 63,3% dos ginecologistas disseram que não fariam o aborto, mesmo nos casos permitidos por lei.





