Médico é preso pela 29ª vez por fazer abortos
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - A ficha criminal do médico Nélson Takara Uchimura, de 52 anos, tem 29 prisões - todas por fazer abortos ilegais. Mesmo assim, ele continuava trabalhando em uma clínica clandestina no Jardim Santana, zona norte de São Paulo. Antontem à noite, após uma denúncia, a polícia foi até a clínica e prendeu o médico e a enfermeira Maria Cilei Neckel.
No local, uma adolescente de 17 anos havia acabado de se submeter a um aborto. A gravidez foi interrompida no quinto mês. A enfermeira de Uchimura foi presa pela terceira vez, pelo mesmo crime.
''A jovem estava com hemorragia e tivemos de levá-la às pressas ao hospital'', afirmou o delegado do Setor de Investigações Gerais (SIG), Jorge Ésper, da 4 Delegacia Seccional.
Ela foi levada ao Hospital do Mandaqui, onde permanece internada. ''Segundo as informações que recebemos, ele fazia abortos até o oitavo mês de gravidez. O preço médio do aborto é de R$ 2,5 mil'', disse o delegado.
A paciente - que teve a identidade preservada - tem outros filhos. Ela mora em São Vicente, litoral paulista. Segundo o delegado, depois de sair do hospital, será encaminhada à Febem.
Pelo telefone, a pessoa que fez a denúncia informou que a clínica funcionava na casa há cerca de dois meses. No local seriam feitas entre três e quatro operações por dia.
A movimentação da residência foi monitorada pela polícia. A fachada do sobrado não levantava a suspeita dos moradores do bairro. ''O médico e a enfermeira falaram que ali funcionava uma clínica de acupuntura, mas dentro da casa havia vários equipamentos utilizados por ginecologistas'', disse Ésper.
Todo o material necessário para fazer abortos foi encontrado na clínica. Instrumentos, medicamentos, absorventes e até comprimidos para cólica. A polícia também apreendeu o dinheiro usado para o pagamento da cirurgia.
Uchimura foi preso pela primeira vez em 1981. ''De todas essas prisões, o médico tem uma condenação e dois processos em andamento'', disse Ésper. Ele apresentou documentos do Conselho Regional de Medicina (CRM) que comprovavam sua formação profissional. A autenticidade da documentação, ainda está sendo analisada pela polícia. O médico também tem uma passagem pela polícia por falsidade ideológica.


