Embora a cirurgia plástica seja, em muitos casos, a única solução para incorreções que geram insatisfação nos adolescentes, o médico Sérgio Gradowski alerta sobre os cuidados com a preparação psicológica e expectativas do paciente. O ideal é que a decisão de se submeter à intervenção parta do próprio jovem, seja ponderada com os pais e indicada por um profissional especializado.
O cirurgião, principalmente na fase pré-operatória, assume o papel de psicólogo, pois o profissional precisa saber avaliar o grau de expectativa do paciente para evitar frustração futura. ''O adolescente precisa ter maturidade para entender as limitações da cirurgia. Há casos de instabilidade emocional, própria da idade, em que o paciente não consegue aproveitar os benefícios da intervenção'', ressalta Gradowski.
O jovem deve ser muito bem orientado quanto aos riscos da cirurgia e cuidados que deverá tomar na fase pós-operatória. Os riscos são os mesmos de qualquer intervenção cirúrgica como infecção, sangramento e reação à anestesia.
Em geral, os resultados com a mudança da auto-imagem são bem aceitos pelos adolescentes. A cirurgia plástica, em muitos casos, reverte-se até em mudanças positivas de comportamento e nas interações interpessoais.
Para o psicoterapeuta Mário Negrão, o problema básico do adolescente é a aceitação. Ele acredita que vai ser aceito à medida em que se parece com as outras pessoas ou segue as mesmas regras, inclusive, quanto à imagem. ''Essas coisas acabam virando códigos'', afirma o especialista, comparando o comportamento dos jovens com torcedores de futebol, que procuram usar as mesmas cores, acessórios e roupas do time.
Negrão não é contra e nem acha errado o adolescente querer mexer no corpo para se sentir bem ou ser bem aceito no seu grupo. ''O que ele deve pensar é se quer ser aceito pela imagem ou pelo produto'', adverte. Para ele, o que mais pesa como critério de aceitação é o que a pessoa faz e não a aparência.
Quanto ao fato da cirurgia plástica ser usada como recurso para melhorar a auto-estima, Negrão concorda que a iniciativa é válida, mas aponta duas condições: o jovem tem que ter certeza de que aquela ''imperfeição'' é realmente a causa de sua angústia e se a intervenção vai ter o efeito desejado. ''Cirurgia plástica é igual a divórcio. Foi criada para resolver problemas e não criar outros'', compara.

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