MEDICAMENTOS - Consumidor compra sem indicação
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 17 de julho de 2008
Érika Gonçalves<br>Reportagem local 
Como o consumidor se comporta frente à indicação de um remédio pelo médico? Compra sem discutir o preço ou prefere um mais barato, como o genérico? E quando vai à farmácia, costuma aceitar a sugestão do farmacêutico? E a diferença entre balconista e farmacêutico, alguém liga para isso?
Em busca dessas e de outras respostas, as alunas Andréa Baggio Morais e Juliana Adelmann, do curso de Pós-graduação em Marketing da UEL, fizeram uma pesquisa para saber a opinião do consumidor londrinense. Foram ouvidos 385 consumidores em frente às farmácias de todas as regiões da cidade. A maioria dos entrevistados era do sexo feminino, entre 26 e 35 anos, com ensino superior completo e pertencente às classes B e C.
Em entrevista à FOLHA, Andréa Baggio Morais mostra os resultados da pesquisa e como se comporta o consumidor quando vai à farmácia.
Qual era o objetivo da pesquisa?Identificar o comportamento de compra e o grau de credibilidade do consumidor final de produtos farmacêuticos em relação aos agentes do processo de produção e comercialização de medicamentos, além de analisar a percepção do consumidor de Londrina. Para definir o comportamento de compra, foram levantadas questões referentes aos critérios relacionados à aquisição de remédios como marca, fabricante, preço, indicações, tipo de medicamento que compra, rede de farmácia, farmácia que costuma comprar e o que mais compra.
Muitas pessoas ainda compram medicamentos sem receita?
Quando avaliamos o consumo dos medicamentos de venda livre, notamos que grande parte dos consumidores compra este tipo de produto sem qualquer indicação, uma minoria que consome com a indicação do farmacêutico, e um grupo com faixa etária acima de 66 anos compra medicamentos somente com receita médica. Como fator de influência na compra de remédios de venda livre, verificamos também que as classes A, B e C utilizam em sua grande maioria receitas médicas e já as classes D e E quando compram por conta própria, pois em sua grande maioria estas procuram os postos de saúde municipais.
Os medicamentos genéricos são bem aceitos?
A pesquisa mostra que a aceitação foi grande: 42,60% dos entrevistados compram somente medicamentos genéricos, tanto pelo preço ser mais acessível, mas também pela qualidade que este já mostrou ter.
O consumidor é fiel às farmácias?
Um fator que existia no passado era a fidelidade do cliente com uma determinada farmácia ou marca de remédio. Isto já não existe mais. O número de produtos similares e a massificação nas prestações de serviços deixam ao cliente a possibilidade de escolher qual a melhor opção, às vezes pelo menor preço e às vezes pelos benefícios propostos pelo estabelecimento.
O médico ainda tem a palavra final sobre o remédio que o paciente vai tomar ou ele troca quando chega na farmácia?
Quando observamos o nível de credibilidade do consumidor no médico, podemos observar que a grande maioria - 92,73% dos entrevistados confiam totalmente e que não existe nenhum que não confia neste agente. Porém quando falamos de receitas médicas, a maior parte dos consumidores compra o medicamento indicado pelo médico, mas existe uma parte considerável que na farmácia troca a marca do remédio, pegando em sua maioria medicamentos genéricos por ter o preço mais baixo.
Há confusão entre a figura do farmacêutico e do balconista?
A pesquisa mostra um grau de credibilidade abaixo do esperado no profissional farmacêutico, e verificamos que isso se deve à uma grande confusão entre o profissional farmacêutico e o balconista da farmácia.


