Em 23 de abril comemoramos o Dia Internacional do Livro. Para marcar esta importante data, o Ministério da Educação está iniciando a campanha ‘‘Tempo de Leitura - Vamos Fazer do Brasil um País de Leitores’’, com o projeto ‘‘Literatura em Minha Casa’’, distribuindo 61 milhões de livros para 8,5 milhões de alunos de 4ª a 5ª séries do Ensino Fundamental da rede pública nacional. Segundo o ministro Paulo Renato Souza, ‘‘o objetivo da campanha é implementar ações de incentivo ao hábito de ler, estimulando atividades dentro e fora da escola. Os professores e diretores de escolas públicas foram incentivados a convidar escritores, contadores de histórias, pais e personalidades para que, junto com os alunos, promovam atividades diversas que intensifiquem a prática da leitura.’’
Hoje, tem sido cada vez mais difícil encontrar meios que motivem as pessoas (especialmente os adolescentes e jovens) ao hábito de ler. Isso porque vivemos sob o forte impacto da cultura midiática, onde a imagem fala mais alto do que a palavra. Desde cedo, as crianças começam a se acostumar com a sucessão de imagens televisivas, ou mesmo com jogos de vídeo-games, ou ainda com os programas da informática, habituando-se com o excesso das imagens e encontrando, cada vez mais, dificuldade de concentração nos textos escritos. Vivemos hoje sob a égida das imagens. O telespectador torna-se muito mais passivo, porque não interage com a mensagem recebida. No caso da leitura, esta interação é importante para que o pensamento seja crítico e criativo.
‘‘A leitura é fundamental para que a pessoa desenvolva o raciocínio, sua capacidade de pensar e argumentar’’ – afirma Paulo Renato. Quanto mais o aluno lê, mais domínio tem sobre o texto escrito. Até há pouco tempo, a escola brasileira, mesmo a pública, tinha como clientela a população das camadas altas e médias mais escolarizadas. Assim, boa parte do estímulo à leitura, bem como do acesso à literatura, fazia-se mais no âmbito dos outros círculos da convivência social - especialmente a família - que no âmbito escolar. E muito pouco se fazia em favor do restante da população, em sua maioria precocemente evadida ou excluída da escola.
O esforço do MEC (que colocou bibliotecas em 56.000 escolas públicas do país) é promover uma efetiva qualidade de ensino, estimulando os estudantes a terem maior apreço pelos livros. ‘‘Não se trata mais de deixar a leitura e a experiência com o texto literário por conta da família e de sua herança cultural. Trata-se de garantir ao aluno o direito à leitura e a um contato pessoal com a especificidade do texto literário’’, completa o ministro.
O desinteresse pela leitura gera também a dificuldade de se expressar bem, isto é, quanto menos se lê, menos capacidade se tem para escrever, falar, argumentar boas idéias, pensar, elaborar textos, enfim, redigir bem. Não é à toa que muitos alunos do ensino médio considerem a Redação uma das provas mais difíceis do Vestibular. Todo empenho, portanto, para estimular os alunos a lerem é sempre meritório, tendo em vista que nos dias de hoje, em plena era do conhecimento, é preciso que um número maior de pessoas saibam pensar a se expressar, para contribuírem para um amadurecimento das práticas democráticas e uma maior conscientização dos grandes desafios da atualidade. O MEC está de parabéns pela iniciativa, que conta com todo o nosso apoio.
Hoje, mais do que nunca, com tanto conhecimento disponível, tantas publicações, temos que aproveitar esta oportunidade histórica e valorizar a democratização do saber, através de incentivos à prática da leitura. É assim que construiremos um Brasil vigoroso de idéias e fecundo em boas ações.
VALMOR BOLAN é doutor em Sociologia e diretor geral da Faculdade Editora Nacional (FAENAC), em São Caetano do Sul (SP).

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