Maus hábitos
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre a saúde da população, divulgada ontem, aponta para maus hábitos alimentares e falta de cuidados e prevenção. É um indicativo claro que o aumento da renda das famílias na última década não contribuiu para melhorar a conscientização dos brasileiros para a adoção de uma vida mais saudável.
Quase um terço das crianças (32,3%) com menos de 2 anos toma refrigerante ou suco artificial e 60,8% desse grupo consomem biscoitos, bolachas ou bolos. É um índice muito alto para alimentos que são contraindicados para crianças nessa faixa etária. Sucos artificiais e refrigerantes são ricos em açúcares e sódio e estão diretamente ligados à obesidade infantil, problema que já atinge o Brasil. Tanto que atualmente a desnutrição deixou de ser uma preocupação das autoridades, há deficiências de determinadas vitaminas, mas não de falta de alimentos em geral. Além disso, o excesso de consumo de produtos industrializados pode levar a diabetes na adolescência e na fase adulta.
Crianças com alto consumo de alimentos ricos em energia e gordura e pobre em fibras têm quatro vezes mais riscos de desenvolver sobrepeso e obesidade na adolescência e na vida adulta. O que é facilmente observado é que as campanhas nutricionais são voltadas quase que exclusivamente ao aleitamento materno no caso dos bebês e praticamente não há trabalhos que incentivem uma alimentação saudável na primeira infância.
Outra questão que deve ser observada é que há mais mulheres obesas do que homens. A circunferência da cintura (outro indicador de excesso de peso e que pode indicar tendência a problemas cardíacos) também é maior nas mulheres que nos homens. É a primeira pesquisa realizada pelo IBGE e, portanto, não há base de comparação. Geralmente são as mulheres que cuidam da alimentação da família e se há maus hábitos entre elas, certamente impacta nos homens e nas crianças.
É um indicador claro que os percentuais só tendem a crescer e, por isso, seria importante uma campanha voltada a esse público. Devem ser bem explorados os benefícios e a importância de uma alimentação saudável porque traria impactos positivos até mesmo na rede pública de saúde.





