Chega ao fim o carnaval, a festa popular mais famosa do Brasil e também a mais polêmica, pois consegue ser amada por uns e odiada por outros. Há quem deteste o festejo, apesar de não abrir mão do descanso do feriadão. Neste ano, uma crítica importante foi feita por um sambista do primeiro escalão, Diogo Nogueira. Ele ‘’ousou’’ levantar a voz para criticar o espetáculo e teve coragem de reclamar da comercialização do carnaval, principalmente daquele modelo realizado nos sambódromos do Rio de Janeiro e São Paulo. Para Nogueira, os patrocínios que grandes empresas fazem diretamente às escolas estão acabando com a ‘’paixão de um povo’’. A crítica tem destino certo: escolas que definem seus temas não conforme o desejo da comunidade que ela representa, mas seguindo determinação do patrocinador.
O carnaval cada vez mais deixa de ser uma festa popular para se tornar indústria do entretenimento. Os patrocinadores definem quem serão os convidados que aparecerão na TV e nas revistas. Nos desfiles, o povo não é mais destaque. Ganha espaço quem concorda em desfilar com menos (ou nenhuma) roupa. Os mais antigos sentem saudades da folia de antigamente e em algumas cidades, até mesmo no Rio, há movimentos de grupos que tentam resgatar a tradição do passado.
Trata-se da tradição das marchinhas, dos desfiles de blocos nas ruas e praças, dos bailes de clubes. O carnaval sempre foi associado à liberdade - quatro dias para esquecer obrigações, fantasiar-se do sexo oposto, usar máscara de político, fazer as coisas ao contrário. O problema é quando essa liberdade explora a sensação de ‘’pode-se tudo’’. É em nome desse conceito que, infelizmente, consome-se muita bebida alcoólica e drogas.
Abre-se o caminho para a violência no trânsito, nas casas e nos bares. Até a noite de terça-feira, nas rodovias federais do Paraná, 61 pessoas foram presas após passarem pelo teste do bafômetro e 191 foram multadas. Nas estradas estaduais aconteceram oito prisões. Outro fato curioso e vergonhoso: até a última terça-feira, 659 pessoas (entre homens e mulheres) foram detidas no Rio de Janeiro por urinar na rua. Festa com muitos maus exemplos.

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