Maurício M. B. Vieira

Uma nova Cascavel
Os quarenta e cinco anos do município de Cascavel são propícios para refletirmos sobre o futuro da chamada ‘‘capital do Oeste paranaense’’. Se é verdade que, desde a sua existência, a cidade e o município cresceram e progrediram graças, principalmente, à sua posição geográfica privilegiada e aos recursos dados pela natureza, especialmente a terra fértil, em que ‘‘se plantando, tudo dᒒ, sem olvidar, à evidência, as pessoas que para cá vieram e deram o seu suor em prol da nova comuna, também é certo que o desenvolvimento de Cascavel não chegou ao patamar que gostaríamos, estando até mesmo longe de atingir o ponto que consideramos razoável.
Conquistas importantes foram conseguidas neste quase meio século. Cite-se, dentre elas, a Unioeste, que ainda precisa expandir-se e consolidar-se como centro de pesquisa e propagação do conhecimento, e a Ferroeste, cujos benefícios para a cidade e a região parece que ainda estão por vir. Outro empreendimento merecedor de destaque é a Univel, embrião de um futura universidade, a qual, sem dúvida, é um fator não apenas de desenvolvimento de qualquer cidade, mas também de alargamento de horizontes e de aprimoramento cultural e científico. Fala-se de instalação de outras faculdades. Se vierem, ótimo para a cidade e a sociedade cascavelense. Também o Porto Seco e aeroporto - nacional ou internacional - estão em vias de se tornarem realidades. Enfim, parece que tudo caminha em rumo positivo e alvissareiro. Afirmamos parece porque algo há que, nestes 45 anos, nunca teve importância ou, se teve, foi mínima. Referimo-nos ao ensino de primeiro e segundo graus, aquele especialmente. Evidentemente, o descaso para com a educação básica não ocorre apenas em Cascavel, mas em todo o Brasil.
A falta de consciência das elites (intelectuais, políticas, econômicas, eclesiásticas etc) para com a educação básica é de impressionar. Fala-se em abrir estradas, em asfaltar, em aeroporto, em privatizações, em universidades etc (evidentemente, todos estes fatores são importantíssimos para o progresso de um município), mas esquece-se do essencial: a educação, especialmente a básica, a fundamental, aquela que ensina a escrever e a fazer contas, que tira as crianças a rua e lhes dá uma perspectiva de vida, bem como transmite os mais elementares conhecimentos.
Infelizmente, hoje, a educação fundamental em Cascavel, como em todos os municípios do Brasil, salvo raríssimas exceções, é falha e não atende à demanda de uma sociedade moderna, complexa e inserida em um mundo globalizado. Evidentemente, não se pode atribuir as mazelas do nosso ensino à atual administração municipal. O problema vem de anos, décadas. Não se concerta o que está errado em apenas uma administração, especialmente quando a sociedade, de um modo geral, não se envolve e não se preocupa com este problema crônico.
A solução para a questão educacional demanda, inicialmente, uma tomada de consciência por parte da sociedade, especialmente aqueles segmentos que a comandam e traçam o seu destino. Hoje, ao que parece, há uma preocupação maior com a educação básica. Entretanto, esta preocupação ainda é incipiente, fraca, muito fraca, e precisa tomar corpo e força. Ao que parece, o governo Fernando Henrique está tentando avançar nas diretrizes do ensino fundamental. Também a secretária municipal de Educação, Edinha Volpin, vem tentando dar novos rumos ao secular problema. Mas, é pouco, muito pouco. Necessário, imprescindível é que se faça uma revolução no campo da educação. Não se pode mais caminhar a passos de tartaruga como tem ocorrido até hoje. O problema requer soluções urgentíssimas e enérgicas, a fim de que, a médio e a longo prazos, possamos auferir os benefícios de uma sociedade cujos componentes, todos, tenham um grau mínimo de preparo para a vida.
Sinceramente, não cremos que Cascavel, bem como todos os municípios brasileiros e, em consequência, o nosso querido Brasil, tenham um futuro alvissareiro se não mudar os rumos da educação. A permanecer o atual quadro educacional, seremos apenas mais um dos tantos países subdesenvolvidos do mundo, que, no futuro, continuará a ser conhecido, apenas e tão somente, como o país do carnaval, do futebol, da floresta amazônica e de outras coisas exóticas. A este propósito, mencione-se que o fato de os presidentes dos Estados Unidos e França confundirem o Brasil com a Bolívia e o México, respectivamente, é apenas o reflexo do que o chamado ‘‘primeiro mundo’’ pensa a nosso respeito: um país subdesenvolvido e sem qualquer expressão no cenário mundial. Esta é a verdade, embora fira o nosso brio.
Para invertemos esta situação, para sairmos desta posição de submissão à economia internacional, para deixarmos de ser humilhados lá fora, como de fato infelizmente somos, não se pode conceber outra saída que não o investimento maciço na educação fundamental. Não será a globalização, a abertura da economia ao capital estrangeiro e outras ‘‘proezas’’ econômicas que tornarão o Brasil um país membro do seleto ‘‘primeiro mundo’’. Apesar das privatizações e outras medidas econômicas, políticas e jurídicas serem necessárias, apesar da globalização ser inexorável (para o bem ou para o mal - só o futuro dirá), em realidade, essencialmente, não se pode olvidar o cerne da questão: a saída está na educação.
Assim, quando pensamos no quanto Cascavel caminhou nestes 45 anos, apesar de ter um ensino fundamental falho, cremos que, doravante, se dermos à educação a prioridade que ela merece, sem dúvida nenhuma, a médio e a longo prazos, estaremos construindo uma nova Cascavel e um novo Brasil.
- MAURÍCIO M. B. VIEIRA é advogado e presidente eleito da OAB, Subseção de Cascavel

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