Parte do Congresso Nacional parece ignorar a atual situação do País – de grave crise econômica e de períodos de ajuste fiscal. Em um ato de total irresponsabilidade, a Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, da Câmara Federal, aprovou aumento de 16% no subsídio dos ministros do Supremo Tribunal Federal. Se passar pelo plenário, o salário dos ministros passará de R$ 33.763,00 para R$ 39.293,38 e, de quebra, vai provocar um efeito cascata para a União, os Estados e os municípios.
A presidente Dilma Rousseff (PT) já tinha se manifestado contrariamente ao reajuste de salários dos servidores federais porque vai gerar grande impacto nas contas do governo em um período que é preciso economizar. Somente o reajuste do Judiciário, se aprovado da forma proposta, criará uma conta adicional de R$ 25,7 bilhões até 2018, com um acréscimo anual nos gastos públicos de R$ 10,5 bilhões, a partir de 2018.
É inadmissível que neste atual momento, seja concedido aumento de 16% aos servidores do Judiciário. Não é somente o Executivo que deve trabalhar para reduzir suas despesas, Legislativo e Judiciário também devem ter sua parcela de esforço e cortar custos. É importante que a população fique atenta e impeça a continuidade desse projeto. A pressão popular tem que ser exercida sobre os parlamentares, que têm o dever de mostrar sintonia com os interesses da população e do País em geral.
Importante acrescentar que um Congresso independente é saudável e contribui para melhorar a qualidade da administração pública. No entanto, a "independência" dos poderes não pode estar baseada em interesses de grupos específicos. É o caso do pacote de ajuste fiscal, que o Congresso tem atuado sem qualquer equilíbrio, sem o entendimento do momento atual.
Entre os argumentos para o aumento salarial afirma-se que o índice pedido apenas repõe perdas com a inflação de 2009 até o final deste ano. Sob essa ótica, a conta até pode fechar, mas o problema não é esse. Além dos salários, membros do mais alto escalão do Judiciário gozam de benefícios e vantagens que geram altos custos para o contribuinte. Diante de uma grave crise econômica, os cortes tornam-se mais necessários e, por isso, uma reivindicação como essa parece totalmente inoportuna.

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