MATURIDADE SAUDÁVEL - Envelhescência que faz a diferença
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quinta-feira, 02 de abril de 2009
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
A mostra Síntese de Indicadores Sociais, do IBGE apontou: o Brasil tem mais de 10% de sua população composta por idosos (acima dos 60 anos). São quase 20 milhões de pessoas que, contrárias à imagem vinculada à bengala, às pernas para o ar e aos cabelos brancos, mostram-se cada vez mais produtivas, cuidadosas em relação à saúde e dispostas a se beneficiar dos avanços da medicina moderna.
Para a psicóloga Paula Pirola, a atenção vem desde a fase chamada envelhescência. ''Trata-se de uma preparação para entrar na velhice, tal qual a adolescência está para a maturidade'', revela. Nesta entrevista à FOLHA, Paula elenca os maiores cuidados a serem tomados para uma velhice plena e recomenda o namoro, o sexo e a prática de atividades físicas. Efetivamente, a qualidade de vida pode ser sinônimo de cabelos brancos, aposta.
A cidade envelhece e sua população também. Como chegar à maturidade com a saúde em dia e com espaço na sociedade?
Para se chegar à maturidade com a saúde em dia, sem dúvidas, é necessário pensarmos em mudanças, saber viver a vida de forma consciente, sabendo o que se quer de cada dia e quais são seus direitos e deveres preservados e cumpridos.
Devemos desmitificar a imagem que alia os idosos à bengala e aos cabelos brancos? Estamos evoluindo, nesse sentido?
Sim. Hoje os idosos vêm se preocupando cada vez mais com sua saúde física e mental. Antes mesmo de entrar na terceira idade, muitos buscam ajuda quando necessário de profissionais especializados, fazem exercícios para melhorar sua qualidade de vida, assim aumentando a autoestima. Há a busca, também, para estar com amigos. Dessa forma, almejam obter qualidade de vida mesmo estando com os cabelos brancos.
O prolongamento da vida pode ser sinônimo da envelhescência e da própria velhice. A envelhescência pode atenuar os efeitos da velhice?
A envelhescência é uma preparação para entrar na velhice, assim como a adolescência é uma preparação para a maturidade. Essa etapa pode atenuar os efeitos da velhice e é uma fase de preparação no qual o indivíduo irá lidar com muitas mudanças e adaptações. É necessário que as pessoas que convivem com os envelhescentes compreendam essa fase e apóiem todo esse momento de transformação, readaptação.
Quais as melhores formas de resgatar a autoestima dessa população?
A sociedade deve aproveitar a experiência de vida dos idosos, mostrando-lhes que são seres capazes, produtivos, experientes. É importante, também, tratá-los com amor e carinho.
Exercícios cardiorrespiratórios, aeróbicos e assistidos, como a musculação são boas indicações? Quais os efeitos da prática física no dia a dia dessa população?
Sem dúvidas. Enumero, como pontos positivos, além da autoestima, o autoconhecimento, a interação social, a redução do risco cardiovascular, além do controle de artrite e diabetes. Os exercícios devem fazer parte de qualquer fase da vida das pessoas e previnem sintomas da depressão e melhoram a autoeficácia, isto é, a crença de realizar, com êxito, os objetivos aos quais nos lançamos.
O namoro e o sexo são recomendáveis?
Sempre. A atividade sexual na idade adulta até a terceira idade deve ser mantida, pois é saudável. As pessoas não perdem a função sexual. O que deve ser mantido nessa etapa da vida é o aconchego, a intimidade do casal, o respeito. Tudo isso tem de ser levado mais a sério do que somente as sensações prezadas pelos jovens, como as ejaculações, orgasmos, frequência, etc. Tudo reside na qualidade.
E o convívio? Mais vale a almejada independência ou a interação?
Cada pessoa possui suas particularidades que deverão ser respeitadas. Para o idoso, esta é uma fase onde se ele teve consciência e levou uma vida com hábitos saudáveis, sabe que sempre teve sua independência (embora relativa) respeitada e isso nunca o impediu de interagir.
Quem sempre trabalhou deve continuar fazendo-o mesmo aposentado, ainda que seja um trabalho de poucas horas semanais e de rentabilidade baixa?
Com toda certeza, o trabalho é uma das fontes de prazer, para quem ama e respeita a sua vida e a do próximo. A produtividade - independente da atividade realizada - aumenta a confiança e pode prevenir a incidência de algumas doenças.


