A última edição do Raio X do Investidor Brasileiro, realizado pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais) em parceria com o Datafolha, revelou um movimento importante: 18 milhões de brasileiros manifestaram intenção de começar a investir em 2025. Caso a expectativa se confirme, o país alcançará quase 40% da população com recursos aplicados, ampliando o alcance do mercado financeiro e sinalizando um processo de amadurecimento da relação dos cidadãos com o dinheiro.

Trata-se de uma ótima notícia para um país em que até há alguns anos o dinheiro era considerado um tabu e muitas famílias evitavam discutir o assunto porque poderia levar a conflitos. Além disso, o brasileiro não era considerado educado para finanças, com pesquisas que revelavam grandes parcelas de famílias com dívidas a vencer em cartões de crédito, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado, prestação de carro ou casa, além de empréstimo pessoal.

O Raio X do Investidor Brasileiro mostrou que a poupança ainda ocupa o primeiro lugar no imaginário do investidor nacional, mas sua predominância vem perdendo espaço, sobretudo entre os mais jovens e nas classes de maior renda. Cresce a busca por alternativas como fundos, títulos privados, criptomoedas e, de forma mais gradual, a Bolsa de Valores. Esse movimento sugere uma geração mais disposta a diversificar e a assumir riscos, ainda que de maneira cautelosa.

Essa transformação pode ser vista claramente no Paraná. O Estado figura entre os líderes em participação proporcional na B3, refletindo sua relevância econômica e o perfil de um investidor que se mostra mais ativo. A análise da consultoria Garoa Wealth Management confirma que, mesmo diante da volatilidade dos mercados, o interesse local por aplicações de maior risco acompanha a solidez de sua economia.

É preciso considerar que o avanço para alternativas mais sofisticadas representa um passo relevante para o fortalecimento da cultura de investimento. É claro e importante que esse amadurecimento ocorra de forma responsável. Para tanto, precisamos contar com mais pessoas tendo acesso a educação financeira e informações de qualidade sobre economia, além de instituições transparentes.

Obrigado por ler a FOLHA!

mockup