Por falta de uma idéia melhor, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) está pensando em matar 55 gatos e 10 cães acolhidos por uma dona de casa, em Londrina. Esses animais são um incômodo para a vizinhança - porque a mulher, uma ex-costureira de 62 anos, os recolhe nas ruas e os mantém para que não morram de fome - mas a sensatez humana deve ter recursos menos penosos do que exterminá-los. Existe lei que protege os animais, e a Secretaria - que alega ter competência para o extermínio, sem impedimentos - precisa repensar a sua decisão.
A mulher é a mesma que, semanas atrás, foi objeto de reportagem por recolher e acumular grande quantidade de lixo reciclável dentro de casa, mas se ela demonstra ter problemas comportamentais, revela ao menos um carinho pelos animais, porque os alimenta normalmente, com carne que adquire em açougues. Não se trata de uma pessoa pobre, mas com recursos para manter essa assistência aos felinos e caninos. Sua casa converteu-se num barulhento reduto de cães e gatos, que ladram e miam durante o dia e a noite inteira. A reclamação da vizinhança é procedente e os animais certamente precisam ser retirados, mas o extermínio é uma fórmula simplista e perversa, ademais se partir de um órgão público.
Uma solução é as pessoas interessadas adotarem individualmente esses animais, que não são de raça e nem filhotes, ou a Secretaria recolhê-los (embora não tenha canil e seria preciso improvisar um), mas sem exterminá-los, possibilitando dessa forma que haja tempo para alguém ir requisitando-os. O secretário Gerson da Silva e a veterinária Anne Christine Hiltel, da Sema, são favoráveis à matança. A ONG SOS Animal e o Hospital Veterinário da Universidade Estadual de Londrina já foram consultados para se saber se desejam recolher os bichanos e os cães, mas ainda não há uma resposta. A consulta final será ao Ministério Público. Todos os animais são saudáveis, e em princípio não há problema de saúde pública e nem de maus tratos.
A amostragem da opinião de leitores, na seção especializada desta página, hoje, mostra a reação popular contra a decisão da Secretaria do Meio Ambiente de matar os animais, o que ocorreria por via de eutanásia. A precipitação em falar de aniquilamento, por parte dos titulares da Secretaria, está causando revolta, porque uma instituição pública que se ocupa da defesa do meio ambiente deve pensar também na proteção aos animais. Atitudes extremas geram indignação da sociedade que, em grande maioria, não aprova a matança desses bichos de estimação. Secretaria e Promotoria Pública estão diante de um delicado problema.

mockup